Curitiba- Os pescadores Jessé de Oliveira Pinto, 20 anos, e Nizoel Pinto, de 37 anos, foram presos em flagrante por policiais florestais, na noite de quarta-feira, na Área de Proteção Ambiental (Apa) de Guaraqueçaba, no Litoral do Estado, com 40 dúzias de caranguejos e 25 dúzias de ostras. A pesca na região, assim como nas baías de Paranaguá e Antonina, está proibida desde o último dia 16, por causa do vazamento de óleo do acidente com o navio chileno VicuÀa. Os dois foram levados para a carceragem da Polícia Federal (PF), em Paranaguá, e autuados em R$ 1.750,00.
No caso do caranguejo, a captura está proibida por causa do período de reprodução e passa a ser liberada no início de dezembro. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) ainda estuda a possibilidade de interditar a captura do crustáceo, pois várias áreas de mangue também foram atingidas pelo óleo.
O delegado da PF, Paulo Vibrio Júnior, disse que os pescadores foram liberados na tarde de ontem, depois de pagarem, cada um, meio salário mínimo (R$ 130,00) de fiança. Os dois vão responder a processo na Justiça Federal. Tanto a PF como a Polícia Florestal garantem que estão intensificando a fiscalização nos locais onde a pesca está proibida. Para o delegado, a prisão dos pescadores deve servir de alerta para o restante da população.
As ostras e caranguejos foram encaminhados para o hospital improvisado onde técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Ecoplan estão tratando os animais contaminados recolhidos pelas equipes de resgate de fauna. Como não tinham sinais de contaminação, seriam devolvidos à natureza.
Ontem, mais um animal ameaçado de extinção foi encontrado próximo à Ilha Rasa por uma das equipes de resgate, mas desta vez, morto. Tratava-se de um peixe mero de 70 quilos e 1,67 metro. Não se sabe, ainda, se a causa da morte foi a contaminação pelo óleo. Desde 1997, o Ecoplan realiza um projeto com recifes artificiais na tentativa de repovoar o Litoral paranaense com essa espécie. A pesca foi proibida pelo Ibama em setembro de 2002 por um período de cinco anos.
Técnicos que trabalham na remoção do óleo do navio VicuÀa informaram, ontem, à Defesa Civil, que não há mais vazamento de combustível dos tanques da embarcação que tinham rachaduras. Os tanques da proa, que estão intactos, foram esgotados, mas na popa pode haver óleo. O óleo que ainda aflora na baía é o que está se desprendendo de compartimentos do navio conforme a movimentação da maré. Até a próxima segunda-feira, deve ser apresentado à Capitania dos Portos o plano de retirada da embarcação.

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