Pescadores denunciam tentativa de compra de redes e aves
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por Andreia Maia 
Rio, 21 (AE) - Os moradores das praias de Mauá, um das mais atingidas pelo vazamento de óleo da Petrobras, disseram hoje que a empresa está oferecendo um acordo sobre o material destruído - redes e barcos - e R$ 5 por animal morto recolhido na região. "Um funcionário da empresa disse que se entregasse as redes perdidas receberia R$ 1,5 mil ", contou o pescador Alexandre Ribeiro do Carmo, de 27 anos. Segundo ele, a proposta estava sendo feita aos pescadores da Praia de Olaria.
Albano de Souza Gonçalves, diretor da Petrobras, negou a denúncia. "A Petrobrás jamais faria isso." Carmo afirmou que a oferta foi feita pelo engenheiro de Equipamentos II da Petrobras
Jorge José Lopes, que fazia a limpeza da praia na tarde de quinta-feira . "Ele falou que o meu prejuízo poderia ser resolvido entregando as minhas seis redes e em troca receberia dinheiro", afirmou o pescador. " Concordei e cheguei até a preencher um documento e assinar, no qual relacionei o prejuízo, mas depois fiquei arrependido e voltei atrás", relatou. O pescador contou que o funcionário teria dito que as redes seriam colocadas nos tonéis, usados para recolher o material estragado pelo vazamento, e depois levados por um caminhão a um depósito da empresa.
Para o presidente da Colônia de Pescadores de Mauá, Amilton do Nascimento, de 54 anos, a proposta do funcionário da Petrobras foi indecorosa. "A empresa está pensando que não sabemos o dano ambiental, social e financeiro que ela provocou na região", disse Nascimento. "Centenas de pais de familias ficaram sem o ganha-pão ." Ele acrescentou ter recebido denúncias de que os mesmos funcionários estariam oferecendo R$ 5 por ave recolhida na região. "A Petrobras quer é tampar o sol com a peneira, mas vamos lutar pela nossa indenização", insistiu.
Hoje pela manhã Nascimento reuniu-se com o delegado federal Pedro Cabral, da Delegacia Federal de Agricultura do Rio
órgão subordinado ao Ministério da Agricultura, para relacionar as principais reivindicações dos pescadores. O delegado entregará um relatório com as exigências ao ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, no final da tarde de domingo. "Esse documento conterá as reivindicações e os prejuízos do desastre ambiental", disse o delegado. Entre as exigências dos pescadores estão: cesta básica para todas as famílias, salário minímo para cada pescador e a utilização da mão-de-obra dos pescadores na recuperação dos manguezais e currais.
Manguezal - Na região dos manguezais, principalmente em Guapimirim ( área de proteção ambiental) aumenta o número de aves e peixes mortos.Um grupo de voluntários montou uma base na Praia do Limão, a poucos metros de Olaria, e tentava salvar as aveso. "Essas aves não podem esperar por barcos especializados", disse Wilma Cardoso da Silva, uma das voluntária.
Os voluntários estão sendo orientados por veterinários da Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema), do Instituto Estadual de Floresta (IEEF) e pela secretaria do Meio Ambiente do Estado, além das municipais de Magé e Duque de Caxias. Até hoje à tarde, cinco aves - quatro biguás e uma garça - haviam sido salvas. Elas foram lavadas com detergente neutro e alimentadas.


