Pescadores denunciam sumiço de espécies perto de barragem
A parte do Rio Paraná abaixo da barragem da Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, é motivo de reclamação dos pescadores que dependem da atividade para sobreviver. Eles denunciam o sumiço de algumas espécies após a construção da hidroelétrica, alegando escassez na variedade de peixes. A polêmica já virou objeto de ação judicial com pedido de indenização. A decisão foi favorável à Itaipu.
Os pescadores profissionais da Colônia Z-12, no entanto, continuam queixando da pequena diversidade. O presidente da colônia, Orchílio José Reis, afirma que as espécies lucrativas, que são vendidos até R$ 6,00 o quilo, como o dourado, pintado e suribi estão desaparecendo. Sobraram peixes de baixo valor comercial, entre eles o armado, que é vendido a R$ 0,70 o quilo.
Reis lembra que, há oito anos, era possível pegar 150 quilos com uma rede de mil metros. Hoje, a cota não supera 10 quilos. A causa, segundo ele, é porque os peixes não conseguem subir o rio durante a piracema em busca de locais para desova. O problema é agravado com a Usina Binacional de Yacyreta (480 km ao sul de Foz, na fronteira entre Paraguai e Argentina).
Por outro lado, a Itaipu sustenta ter ocorrido um aumento de 113 para 179 na diversidade de espécies após o repovoamento do Rio Paraná e de projetos específicos para possibilitar a piracema.
Quanto à indenização, a Justiça considerou que os pescadores não teriam legitimidade sobre bens do domínio da União, no caso o rio.(Alexandre Palmar, de Foz do Iguaçu)





