Curitiba- Os primeiros 775 pescadores de Paranaguá, no Litoral do Estado, começaram a receber, ontem, a primeira parcela do seguro-desemprego. A antecipação do benefício que normalmente é pago a partir de janeiro, um mês depois do início da proibição da pesca do camarão foi decorrente do acidente com o navio chileno VicuÀa. Com o vazamento de óleo da embarcação, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) proibiu a pesca, por dois meses, contados a partir do dia 16 de novembro, nas baías de Paranaguá, Antonina e Guaraqueçaba.
A Secretaria Especial da Aquicultura e da Pesca (Seap) estima que existam na região mais de 3,3 mil pescadores artesanais cadastrados, mas perto de 2,1 mil deles teriam direito ao seguro-desemprego. Os demais não se enquadrariam porque pescam em alto-mar, onde a atividade não foi proibida.
Ontem, chegou a Paranaguá parte do equipamento que fará o resgate do VicuÀa. O chefe de fiscalização do Ibama em Paranaguá, João Antonio de Oliveira, disse que a expectativa é que os trabalhos sejam iniciados no próximo dia 29. As providências em relação aos riscos de vazamento de óleo na baía, durante a remoção do navio, ainda estão sendo avaliadas.
Protesto solitário- Sem equipamento para trabalhar, o pescador de Guaratuba, José Antônio Rosa, 36 anos, decidiu pedir ajuda a quem passasse pela Praça Osório, no centro de Curitiba. Amarrou uma rede de pesca em uma árvore e colocou na calçada uma caixa de papelão com os dizeres: ''Pescador pede ajuda''.
Rosa contou que está sem o barco desde o início do ano. Seu instrumento de trabalho ficou danificado depois de uma ressaca que atingiu o litoral paranaense, em fevereiro. Ele reclama, também, das embarcações de grande porte, vindas de outros estados, que ''invadem'' a costa durante à noite e acabam destruindo as redes dos pescadores artesanais.

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