Pescadores darão aula em universidade
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domingo, 01 de dezembro de 2002
Simone Menocchi<br> Agência Estado 
Taubaté - Pescadores caiçaras, índios, pesquisadores e cientistas vão dividir, a partir do próximo ano, cadeiras acadêmicas da Universidade Aberta do Mar, que será instalada em São Sebastião, no Litoral Norte Paulista. O projeto, que começou ser elaborado desde 1989 pela Sociedade Civil Organizada ''São Sebastião tem Alma'', será possível graças a uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e com a administração municipal. A universidade terá como principal meta aliar o conhecimento científico ao conhecimento tradicional da comunidade em seus cursos técnicos, de pós-graduação, extensão e pesquisa.
Para a coordenadora de comunicação do projeto e antropóloga, Ariane Porto, a universidade vai fugir de seu conceito tradicional, onde só são admitidos professores com pós-graduação, doutorado ou mestrado e por isso será chamada de universidade aberta. ''A intenção é fazer com que o processo educativo tenha mão-dupla, que pessoas da comunidade, com conhecimentos tão ricos, possam ensinar, e não simplesmente ser objetos de estudo''. Para a antropóloga, professores se tornarão alunos e alunos se tornarão professores, ao mesmo tempo. ''Como vamos oferecer vários cursos, por isso será comum termos professores aprendendo e alunos ensinando''.
Os cursos terão duração de duas semanas a um ano e vão abordar de forma multidisciplinar a questão ambiental nas áreas de Cultura, Educação, Pesca, Extrativismo, Biologia, Oceanografia, Ciências Florestais, Turismo, Direito do Mar e Ambiental. ''Será a união de conhecimentos a serviço e benefício da comunidade'', diz a coordenadora de projetos da Universidade, Simone Conde. Os primeiros cursos Oceanografia, Populações Litorâneas e Dramaturgia, serão ministrados por professores da Universidade de São Paulo a partir do primeiro semestre do ano que vem. A intenção da ONG é fazer novas parcerias com outras universidades.


