Curitiba- ''Já deu para sentir a mudança no movimento do público. Além de já termos mais peixe para oferecer, o pessoal se sente mais seguro para comprar com a liberação da pesca'', comemorou ontem a proprietária de uma das 35 peixarias do Mercado Municipal de Paranaguá, Mirian Lisboa Pereira.
Ontem os cerca de 4,4 mil pescadores das baías de Paranaguá, Guaraqueçaba e Antonina voltaram a pescar depois de 51 dias parados por causa do derramamento de cerca de 1,2 mil toneladas de óleo combustível nas baías por causa da explosão do navio chileno VicuÀa, no último dia 15 de novembro. Segundo a Federação da Colônia de Pescadores, quase todos os pescadores foram para o mar no primeiro dia de liberação.
''O primeiro dia de pesca foi bom. O pessoal foi satisfeito para o mar. Mas o prejuízo que os pescadores tiveram vai ser difícil de recuperar. Esperamos ganhar a compensação com a ação que entramos contra o armador do navio (Sociedad Naviera Ultragas)'', contou o presidente da Federação das Colônias de Pescadores, Edmir Manoel Ferreira. Apesar de já estaram de volta ao trabalho, os pescadores vão receber a segunda parcela do seguro-desemprego, no valor de R$ 260, concedido pelo governo federal. Segundo a Delegacia Regional do Trabalho (DRT), os pescadores têm direito ao dinheiro porque já se passaram mais de 45 dias de proibição.
A liberação da pesca foi um alívio não só para os pescadores. Os comerciantes também já puderam sentir diferença. Mirian afirmou que nos dias da proibição o Mercado Municipal ficava vazio, chegando ao ponto de muitas vezes nem todas as peixarias abrirem as portas. ''Tive cliente que exigiu no balcão que eu mostrasse nota fiscal para provar que o peixe que eu estava vendendo era de Santa Catarina'', contou. ''Os comerciantes de peixes ficaram realmente de braços cruzados. O problema, na verdade, prejudicou um pouco o comércio de Paranaguá como todo no Natal'', confirmou o presidente da Câmara do Comércio Varejista da Associação Comercial e Industrial de Paranaguá (Aciap) e ex-secretário municipal da Indústria e Comércio, Yahia Hamud.
O preço do peixe, segundo Mirian, não vai mudar, já que agora é hora de atrair de volta os clientes. ''Nesses primeiros dois dias de liberação já combinamos com os pescadores que vamos pagar um pouco a mais porque eles não têm dinheiro nem para comprar óleo para ir para o mar. E daí não vamos repassar para o consumidor. Mas depois desses dois dias eles voltam a nos vender pelo valor normal'', explicou.

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