Pescadores ameaçam ir à Justiça contra a Petrobras
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Andreia Maia 
Rio, 19 (AE) - O vazamento de óleo de um dos dutos da Petrobrás, na madrugada de ontem (18), deixou muito procupados 600 pescadores da região de Mauá, no município de Magé, no Rio. Os pescadores criticaram a Petrobras, acusada de não fazer prevenção e indenizar apenas por perda de equipamento - como barcos e redes. "Vivemos do que pescamos e agora vamos morrer de fome ?", perguntou o pescador Adelson Rodrigues, de 52 anos. Há 30 anos ele pesca nas praias do Anil e Olaria, cobertas de óleo.
O presidente da Colônia de Pescadores de Magé, Amilton Nascimento, informou que vai entrar com uma ação popular indenizatória contra a Petrobrás por perdas e danos materiais e de produção. "Esse desastre é o resultado da falta de manutenção da empresa, que não verifica a manutenção dos dutos"
criticou Nascimento. "A Petrobras só faz inspeção quando ocorre um acidente como esse", acusou. Hoje à noite os pescadores da regiãose reúnem para discutir uma ação jurídica contra a empresa.
De acordo com Nascimento, representantes da Petrobras estiveram na colônia e distribuíram fichas de cadastramento nas quais os pescadores deveriam declarar a quantidade de barcos e redes perdidas com o derramamento. "A Petrobrás quer pagar apenas pela rede", afirmou o presidente da colônia. " E os prejuízos nos manguezais e currais? Um dia sem pesca representa para nós, pescadores, falta de dinheiro para pagar luz, gás e comida para os nossos filhos."
Nascimento afirmou que a produção da colônia é de uma tonelada/dia. Ela abastece a região, os municípios de Duque de Caxias (Baixada Fluminense), Petropólis (região serrana) e as Centrais de Abastecimento do Rio (Ceasa). Nascimento afirmou que o prejuízo diário de um pescador da região vai de R$ 80 a 100. Mauá é conhecida pela qualidade do pescado, sobretudo, do camarão cinza grande.
O pescador Júlio César Ferreira, de 41 anos, dos quais 20 vivendo de pescaria, estava muito abatido. Ele perdeu dois barcos, 10 redes e 5k de camarão cinza que estavam em um barco. "O óleo começou a aparecer com a maré cheia e rapidamente cobriu a minha embarcação", lamentava Ferreira.
Os comerciantes da região, principaleente da Praia de Olaria estimam que este será o pior verão dos últimos tempos. "Vendo cerca de 100 peixadas no final de semana e agora com o vazamento ninguém vai comer peixe", queixou-se Juracy Cornelio Martins, de 54 anos, dona do Bar e Restaurante Praia de Olaria. Ela não soube calcular o prejuízo do seu estabelecimento.
Apesar do forte cheiro de óleo nas praias de Mauá, Olaria e Anil, o desastre amibiental parou a pequena Mauá. Diversos moradores foram às ruas acompanhar a movimentação dos funcionários da Petrobras e de empresas contratadas para fazer a limpeza da área. "Queria ver o trabalho de limpeza para ter certeza que será bem feito", disse a dona de casa Madalena Katerinze, de 36 anos, que usava biquíni mesmo sabendo que não poderia mergulhar.


