Pescador prefere voltar a receber indenização
Guaíra - Segundo José Cirineu Machado, presidente da Colônia Z-13, cerca de 800 ilhéus, a maior parte deles pescadores, tiveram que deixar a região de Ilha Grande após a criação do parque. ''Não foram indenizados até hoje'', aponta.
A Ilha Grande ainda está cheia de vestígios da população que morou lá. Em um ponto do parque, a reportagem da FOLHA localizou uma casa de madeira abandonada. Bastante deteriorada, a construção ainda tinha armários, camas, um colchonete, peças de louça e até fogão no seu interior. De acordo com relatos, pescadores utilizam eventualmente residências abandonadas como base de apoio para trabalhar.
O aposentado Manoel Firmino da Silva, de 79 anos, tinha uma propriedade de pouco mais de 15 alqueires dentro dos limites do parque. Vivia da pesca e da produção de milho, arroz e feijão. Teve que deixar o local em 1997. Afirma que nunca foi indenizado. ''Queimei os documentos da propriedade junto com outros, por engano. Sem documento, disseram que não tinham como me pagar'', lamenta.
A filha dele, a pescadora Maria Aparecida da Silva, chegou a procurar o Ibama e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para tentar resolver a situação, mas não teve sucesso. ''Batalhei muito para que ele conseguisse aposentadoria e tivesse direito ao salário mínimo que recebe hoje. Para quem já teve uma propriedade, foi uma queda (de renda) muito grande'', explica Maria Aparecida.
O pescador Claudemir da Silva Saraiva, que morou 30 anos na Ilha Grande, também não obteve compensação para deixar a área. ''Não tínhamos o título da terra. Na época em que fizeram o cadastramento, não estávamos aqui'', relata. Saraiva deposita esperanças na ação movida pela Z-13, mas diz que preferia voltar a morar na Ilha Grande do que receber uma indenização. ''Quero fazer uma casa lá, ter um lugar para pescar, criar porco, galinha'', planeja.
Romano Pulzatto Neto, chefe do Parque Nacional de Ilha Grande, diz que a equipe da unidade, o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) têm procurado ''avançar'' nas tratativas de desapropriação, com editais para compensação de reserva legal e continuidade da regularização fundiária.
''Trata-se de um procedimento legal, através do qual o produtor rural necessitado de regularizar a situação ambiental de sua propriedade, se esta estiver dentro do mesmo bioma e bacia do parque, adquire diretamente do ilhéu um lote no parque para averbação de sua reserva legal. Assim, ele tem sua propriedade regularizada junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), e ao mesmo tempo o ilhéu, ao vender o seu lote, recebe um valor muitas vezes superior ao que seria pago pela União'', explica.(F.G.)





