São Paulo, 20 (AE) - Na mochila, iscas e milho. Nas mãos
a vara de pescar. O pescador Edvaldo Araújo Costa, de 53 anos, estava desolado na plataforma da Estação Guaianases, na zona leste de São Paulo. "Não me falaram de nada", reclamava, enquanto fazia as contas do prejuízo. A pescaria de todos os dias, sustento de Costa, teria de ser adiada. "E se fizerem a greve de novo, como estão falando?"
A única forma de ir para Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, onde trabalha, é o trem. Sai às 3h30 de casa para chegar às 6 horas no riacho. A rotina de Costa é muito parecida com a da maioria dos passageiros da CPTM, que dependem exclusivamente do transporte.
Deolindo Alves, de 47 anos, é metalúrgico. De Guaianases pega um trem até o Brás, zona leste; do Brás até a Barra Funda, zona oeste; de lá, trens da Fepasa. Trabalha em Barueri (SP) e, às 4 horas, não vislumbrava perspectivas de chegar até a fábrica. "Se demorar o que estão falando, não vale a pena; vou peder o dia do mesmo jeito."
Morador de Ferraz de Vasconcelos (SP), onde não há sequer opção de perua ou ônibus, o cozinheiro Wilson Roberto de Oliveira, de 28 anos, tentava arrumar uma boa desculpa para o chefe. "Patrão não quer saber se teve greve ou não; perdemos o dia", conta. "Um dia faz diferença no orçamento."
José Pedro de Paulo, de 21 anos, trabalha numa lavanderia, no Tatuapé, zona leste. Estava na Estação Guaianases na hora do pequeno tumulto na plataforma. "Além de ficarmos sem transporte, ficamos com medo de quebra-quebra."

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