Três fatores estão levando os traficantes a fortalecer a rota via Venezuela-Brasil-África-Europa. Um é o recuo do consumo nos EUA. Outro é a pressão sobre as quadrilhas colombianas depois de seis anos do Plano Colômbia, um tratado de cooperação com os Estados Unidos para combate ao tráfico. O terceiro é comercial: um quilo de cocaína, que é vendido na Colômbia por US$ 2.000 a US$ 2.500, vale nos Estados Unidos de US$ 15 mil a US$ 25 mil, mas na Europa, onde o consumo é crescente, já pode custar até US$ 45 mil.
Atualmente, 80% da cocaína consumida no mundo é colombiana. Por ano, são 360 toneladas enviadas aos EUA, e 240, à Europa. Para as autoridades americanas e européias, o pesadelo tem outras faces: há temor de que, assim como na Colômbia, as drogas financiem a guerrilha esquerdista das FARC e os grupos paramilitares de direita, e que o dinheiro do tráfico africano esteja chegando a extremistas islâmicos.
Os governadores do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PFL), começam hoje uma visita à Colômbia. Eles desembarcam no fim da tarde na capital colombiana, para uma agenda de visitas em Bogotá e Medellín, onde vão conhecer, sexta-feira e sábado, projetos de melhoria da segurança pública e de inclusão social que estariam por trás da queda de assassinatos nas duas cidades. Na capital, a queda foi de 80 assassinatos por 100 mil habitantes, em 1993, para 16, em 2004.
Medellín, depois de um pico em 1991 (381 homicídios por 100 mil), no ano passado chegou a 29. No Rio de Janeiro, a taxa, desde o fim dos anos 90, está pouco acima de 40.(W.T./F.P.)

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