Perueiros se acorrentam e fazem greve de fome em Jundiaí
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Ivan Marcos Machado, especial para a AE 
Jundiaí, SP, 29 (AE) - Cerca de 50 perueiros estão acorrentados e fazem greve de fome desde ontem (28), no heliporto da Prefeitura de Jundiaí. Eles realizam protesto porque a Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) não liberou o trabalho do transporte alternativo de passageiros. Todos os perueiros são da cidade de Várzea Paulista, onde o trabalho é permitido. Porém, quando eles entram em Jundiaí para deixar passageiros da cidade vizinha as peruas são apreendidas e as multas custam R$ 1,5 mil, dobrando na reincidência.
A Prefeitura de Jundiaí já apreendeu 90 peruas. Por diversas vezes, desde novembro do ano passado houve confronto entre os perueiros, funcionários da Secretaria dos Transportes, guardas municipais e policiais militares. O secretário dos Transportes, José Carlos Sacramoni, disse que a Prefeitura não vai liberar o transporte alternativo no município. Ele afirma que é responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagens (DER) a concessão de linhas intermunicipais e fiscalização. Porém, o órgão está se mantendo distante desse problema.
Quanto à fiscalização da Prefeitura, o secretário explicou que a atividade dos perueiros fere uma legislação municipal, que só permite o trabalho dos ônibus. " Eu estou cumprindo a lei com as apreensões". O presidente da Associação em Defesa da Comunidade (ADC), Hélio Aparecido Barros, disse que os 46 perueiros de Várzea Paulista querem o mesmo direito da empresa Rápido Luxo Campinas, que entra no Centro de Jundiaí para transportar passageiros.
O presidente dos perueiros disse ainda que transporta 10 mil pessoas cadastradas por dia, seguindo o princípio de que empresas privadas contratam serviços de transportes para levar seus funcionários e clubes possuem peruas para transportar seus associados. "Não pegamos quem não seja cadastrado", garantiu. Para ele, há perseguição da Prefeitura, que protege os empresários de ônibus.
Em nota da assessoria de imprensa, a Prefeitura esclarece que "o serviço em Jundiaí é exercido por permissionárias, que participaram de regular procedimento licitatório. A legislação contempla ainda o transporte de escolares e o serviço de táxi." Como o transporte entre municípios não é de sua competência, a responsabilidade é do DER.


