Perueiros queimam pneus e param Radial Leste
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por José Gonçalves Neto 
São Paulo, 01 (AE) - Perueiros paralisaram hoje (01) o trânsito em um dos principais corredores da capital paulista, a Radial Leste, ateando fogo a pneus jogados na pista. O incidente ocorreu perto da Estação Belém do metrô, em pleno horário de pico, por volta das 19h, e deixou uma grande coluna de fumaça na avenida. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que o congestionamento na Radial atingiu quatro quilômetros de extensão.
A ação foi realizada por dois grupos. Um deles, de cerca de 15 pessoas, fechou uma faixa da Radial, no sentido centro-bairro, enquanto o outro espalhava pneus, gasolina e ateava fogo, gritando palavras de ordem contra a Prefeitura. A avenida ficou interditada durante meia hora.
O investigador Carlos Tadeu, do Grupo de Operações Especiais (GOE), que passava pelo local, acionou a polícia. Os manifestantes fugiram cinco minutos depois. "Eles espalharam o material e foram embora rapidamente", disse Tadeu.
Na região, muitas lotações costumam aproveitar as enormes filas do terminal de ônibus do Belém. Um grupo de perueiros que estava no local disse que a queima dos pneus era um protesto contra a fiscalização, que estaria extorquindo dinheiro deles e abordando-os de forma violenta. "Amanhã vai ser na Prefeitura"
ameaçou um deles. "Não nos deixam trabalhar, o que vamos fazer?", disse Sidnei de Souza Eugênio.
O protesto ocorreu no fim de um dia de confrontos, iniciados em Santana, na zona norte, pela manhã. As manifestações viraram rotina depois que a Prefeitura aumentou o valor da multa pela apreensão de peruas e mudou sua forma de pagamento.
A Prefeitura concentrou esforços na fiscalização na região leste. Até as 18h30, 33 veículos tinham sido apreendidos. Ao contrário do que ocorreu ontem, houve maior participação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) no trabalho. A operação da São Paulo Transportes (SPTrans) mobilizou durante a manhã 40 fiscais
acompanhados por 35 guardas-civis. À tarde, havia 50 fiscais, escoltados por 20 guardas.
Os fiscais voltaram a evitar pontos conhecidos de concentração de perueiros, interceptando veículos isolados em ruas de São Miguel, Itaim Paulista, Itaquera, Guaianases e São Mateus. Os donos de lotações não reagiram às apreensões, mas dois deles tentaram escapar, trafegando pela contramão.
A maioria dos perueiros argumentou não ter condições de pagar a multa para retirar os carros, levados ao pátio da SPTrans, no Pari. Preso em São Miguel, Flávio Luís da Silva, de 25 anos, disse, chorando, estar desempregado. "Gente, não estou roubando
tenho uma filha pequena para sustentar."
Obrigada a deixar os veículos, boa parte dos passageiros reclamava da situação. A doméstica Ivonete Santos, de 56 anos, tinha hora marcada no médico, em Guaianases, mas foi obrigada a deixar o lotação em Itaquera. "Demorei meses para marcar essa consulta, que será daqui a 20 minutos", contou. "Se esse carro era ilegal, por que deixaram sair?"
Por volta das 18h45, a GCM deixou o comboio da fiscalização. "Agora é só com a gente", disse um dos fiscais. Quinze minutos depois, a disposição do grupo diminuiu ao receber o aviso, por rádio, da ação dos perueiros na Radial Leste. A partir de então, a ordem foi evitar o encontro.


