Perueiros protestam contra apreensão de lotações; hoje foram 35
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Valéria Rossi e Uilson Paiva 
São Paulo, 17 (AE) - Cerca de 100 perueiros clandestinos da zona sul da capital fizeram protesto hoje de manhã. Carregando faixas, percorreram ruas de Santo Amaro, pararam lotações e atrapalharam o trânsito. O protesto começou às 10 horas na Estrada do Alvarenga e terminou às 14 horas, no Largo 13 de Maio, quando a Polícia Militar interveio para disciplinar o embarque de passageiros e os perueiros dispersaram-se. A maior reclamação dos manifestantes era contra a apreensão de veículos pela Prefeitura.
"Preciso sustentar a família; se me tiram o carro não sei o que faço", dizia João Pereira, de 39 anos, perueiro há oito anos. O filho Silvano, de 14 anos, cobrador da perua, o acompanhou na passeata. Eles também se queixaram das exigências do edital da Prefeitura para legalizar cerca de 4 mil peruas. Um dos itens proíbe a inscrição de perueiros com condenação por crimes dolosos contra a pessoa, entre outros. "Muitos já puxaram cadeia, mas se regeneraram", dizia o perueiro Toninho. Ele afirmou que continuará trabalhando, mesmo se não conseguir a legalização.
A chuva ajudou os perueiros clandestinos a escapar da fiscalização, mas 21 veículos foram apreendidos de manhã. Pane no motor do carro e pneu furado obrigaram fiscais da São Paulo Transporte (SPTrans) e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) a ficar horas parados. Desculpa - O perueiro Romário Francisco foi flagrado quando tentava entrar em um posto de combustível, na Avenida Francisco Morato, no Morumbi. Ele negou estar fazendo transporte de passageiros e disse que parou no local para lavar o carro. "Foi a única maneira que encontrei para salvar a perua; estou desempregado e preciso sobreviver".
Ao todo, foram apreendidas 35 peruas hoje. A fiscalização ocorreu no Morumbi, Butantã e em Santana. Participaram da operação 50 PMs, 86 GCMs e 100 fiscais. Não foram registrados incidentes graves.


