Perueiros denunciam violência em blitz; situação é tensa em São José dos Campos
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 10 (AE) - A situação é tensa em São José dos Campos, onde donos de lotações clandestinas denunciam violência durante as blitze da prefeitura e prometem reagir. Desde sexta-feira a Guarda Municipal está trabalhando no combate ao transporte clandestino de passageiros. Em menos de uma semana, seis perueiros foram detidos e a Secretaria Municipal de Transportes promete manter a fiscalização. Os clandestinos acusam os fiscais de atirar contra os veículos.
O secretário de transporte, Eduardo Cury, diz que a entrada da Guarda Municipal nas blitze foi decidida pela falta do apoio da Polícia Militar, que deixou de acompanhar as ações por ordem do governo do Estado. Nos últimos dias, afirmou, dois fiscais foram espancados por perueiros, um deles em uma emboscada. Os clandestino também são acusados de várias tentativas de atropelamento. "Já é uma questão de segurança pública e precisamos da ajuda da Polícia Militar", disse Cury.
As empresas de transporte coletivo apontam o prefeito Emanuel Fernandes (PSDB) como um dos responsáveis pelo agravamento da crise, por adiar a repressão aos clandestinos. As companhias tiveram uma diminuição drástica no fluxo de passageiros. Em outubro de 90 200 coletivos transportaram 5.9 milhões passageiros. No mesmo período, no ano passado, com 300 ônibus, chegou-se a 3.8 milhões de usuários.
Acordo - O perueiro Claudio Fernando Paixão, da zona sul da cidade, afirma que a prefeitura fez um acordo informal com a categoria no início do ano passado. Ficou estabelecido que os clandestinos poderiam fazer as pontas de linha, mas teriam de ter carros novos, além de carteiras de habilitação profissionais. Ele conta que o prefeito chegou a estimular os investimentos e a organização dos clandestino. " Nós acreditávamos que esse acordo fosse mantido e o caminho adotado agora levará à tragédia", advertiu Paixão.
No final da tarde de ontem (09), Francisco Anezi da Silva furou uma blitz e fugiu pela Rodovia Presidente Dutra. Ele foi perseguido pela rodovia por mais de 60 quilômetros pela guarda municipal e Polícia Rodoviária Federal. Antes da apreensão, o veículo, com quatro passageiros, passou pelo bloqueio da polícia em Taubaté e só parou na barreira feita em Roseira. Silva foi detido e levado para a delegacia onde foi autuado por direção perigosa.
Mais tarde, um guarda atirou no pneu de uma perua que fugia do guinchamento em uma blitz na zona leste. Segundo os guardas, o carro teria derrubado e passado por cima do pé de um dos funcionários públicos na tentativa de escapar. " Estamos defendendo o bem público e o serviço dos agentes", justificou o comandante da Guarda, tenente João Ferreira Lima.
Segundo Cury, a violência nos confrontos aumentará. Uma das providências adotadas foi escoltar os agentes até suas casas no final do expediente. De novembro até o momento, 88 peruas clandestinas foram apreendidas nas fiscalizações. O levantamento oficial mostra que no ano passado, cerca de 450 lotações estavam em circulação. Atualmente, esse número estaria reduzido para 130 unidades. Em dezembro, quatro ônibus foram destruídos em emboscadas feitas por perueiros.


