Perueiros clandestinos de São José acusam prefeito de romper acordo; secretário nega
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 11 (AE) - Os perueiros clandestinos de São José dos Campos, interior de São Paulo, acusam o prefeito Emanuel Fernandes (PSDB) de ter rompido um acordo feito com a categoria em 1998 que garantia a atuação livre das lotações na periferia da cidade. Segundo eles, a prefeitura assegurou que só a região central seria fiscalizada pelos marronzinhos. O acerto teria durado até o segundo semestre do ano passado, quando peruas de alguns bairros passaram a desrespeitar as restrições de áreas por falta de um rigor maior na fiscalização. Conforme os perueiros, por causa do acordo muitos motoristas adquiriram veículos novos, se endividaram e, por causa da fiscalização, não têm como trabalhar.
Hoje, o secretário de transporte, Eduardo Cury, disse desconhecer qualquer acordo feito numa reunião entre secretários da prefeitura e perueiros clandestinos a pedido do prefeito. Ele afirmou que o Fernandes nunca prometeu legalizar ou deixar de cumprir a lei em relação às lotações ilegais, seja na época de campanha ou na atual administração. "Eu desconheço essa reunião
embora um perueiro já me me falado sobre este acordo", comentou.
Cury, que é um dos principais assessores políticos de Fernandes, disse ter certeza que nunca partiu do prefeito qualquer orientação para os clandestinos adquirirem carros novos ou trocarem a categoria de suas habilitações. "Ele nunca cometeria um deslize desses", observou. O secretário informou que em sua primeira reunião com os clandestinos, em maio do ano passado, alguns perueiros cobraram o cumprimento do acordo, embora a maioria deles não soubesse do que se tratava. "Acho que tudo isto é uma grande fantasia", disse. Visita - Segundo os perueiros, na época de campanha, Fernandes teria visitado os clandestinos e prometido que as lotações seriam mantidas em atividade, mesmo de maneira ilegal. Segundo o líder dos perueiros da zona sul, José de Pascoal Filho, o prefeito teria reafirmado sua posição junto a categoria logo após sua eleição. "O prefeito até pediu para que nós trocássemos os carros por mais novos", comentou. O perueiro Claudio Fernando Paixão confirma as acusações do colega e disse ter também acreditado que o acordo, mesmo informal, fosse mantido pelo prefeito.
Paixão conta que vários de seus colegas se endividaram para atender as exigências feitas pelo prefeito e atualmente se encontram em situação desesperadora, inclusive perdendo o veículo e passando fome. O perueiro acredita que a categoria está muito próxima a uma convulsão. "O prefeito roeu a corda e hoje está nos tratando como bandidos", acusou.
Segundo os líderes dos clandestinos, a administração municipal adotou a postura de manter a fiscalização somente no centro da cidade para dar uma justificativa à população e às empresas de ônibus. A divisão de áreas tomou o anel viário como limite. As peruas ilegais se restringiriam aos trajetos dentro dos bairros e nunca ingressariam nas partes reservadas para os coletivos, na região central, onde há maior concentração de passageiros. Blitz - A crise do transporte no município se agravou nos últimos meses com a intensificação das blitzes e apreensão de carros. Em dezembro, as empresas concessionárias locais perderam quatro ônibus incendiados e danificados por grupos radicais de clandestinos. A tensão voltou a aumentar na última semana, com a entrada da guarda municipal no combate aos clandestinos. Hoje, o comando local da Polícia Militar avisou que voltará a dar cobertura aos agentes de trânsito nas operações. Atualmente, a cidade tem 93 peruas legalizadas.


