Lima, 11 (AE-AP) - O Peru parecia hoje (11) caminhar para uma perigosa confrontação entre aqueles que apóiam um terceiro mandato do presidente Alberto Fujimori e os que respaldam o oposicionista Alejandro Toledo, que já denunciou os resultados oficiais das eleições de domingo.
O panorama político hoje era incerto e alguns analistas advertem que a polarização e a falta de credibilidade do processo eleitoral, questionado desde o seu início, poderia tirar a legitimidade do próximo governo.
Por um lado, Fujimori encontra-se muito próximo da vitória ainda no primeiro turno, com 49,85% dos votos. Por outro, Toledo
com 40,41%, já questionou os números divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, por sua sigla em espanhol).
Os ânimos políticos se acirraram ainda mais com as críticas internacionais ao governo e com as exigências de observadores eleitorais e diplomatas estrangeiros da realização de um segundo turno.
"Temos uma situação muito complexa devido a uma falta total de credibilidade na ONPE, como consequência das coisas que ocorreram durante o processo eleitoral, que está afetando seriamente a legitimidade do próximo governo", disse hoje à AP Martín Belaúnde, decano do Colégio de Advogados de Lima.
A ONPE, entidade encarregada do cômputo dos votos - questionada pela oposição por supostamente seguir ordens do governo - demorou mais do que o normal para divulgar os resultados oficiais. Seu primeiro informe foi entregue ontem, mais de 15 horas depois do encerramento da votação.
E tais resultados, conforme passam os dias, levam Fujimori mais próximo do triunfo. A oposição acredita que a ONPE preparou uma "fraude eletrônica" para assegurar que Fujimori vença um terceiro mandato, fato inédito no país.
"Creio que o que vai ocorrer é o perigo de uma completa falta de legitimidade do próximo governo, que emanará destas eleições totalmente viciadas, totalmente irregulares", comentou o analista político Eduardo Toche.
Alguns especialistas acreditam que Fujimori não poderá justificar um terceiro governo, com o risco de cair no isolamento internacional. "O Peru se parece cada vez mais com os países do Sudeste Asiático, como Filipinas e Indonésia, dominados por ditaduras militares, onde não existem instituições nem se respeitam os princípios democráticos", afirmou Belaúnde.
Toledo, respaldado pelos candidatos de oposição já derrotados, disse que seu partido "Peru Possível" não reconhecerá os resultados emitidos pela ONPE, "caso Fujimori não apareça com menos de 50% dos votos".
A sensação de que houve algum tipo de manipulação dos resultados persiste na opinião pública, principalmente pelo surgimento de novos indícios, tais como votos em branco e assinados por membros das mesas de votação, assim como cédulas onde não apareciam o nome de Toledo.
"Se não ocorrer o segundo turno teremos todo o direito de pensar que houve realmente uma fraude amplamente preparada", afirmou Rafael Roncagliolo, da Transparência, associação civil registrada como observadora das eleições. A Transparência efetuou sua própria contagem de votos, dando a Fujimori 48,8% e a Toledo, 41,04%.

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