Peru passa o Ano Novo de luto
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quarta-feira, 02 de janeiro de 2002
France Presse 
Lima - O Peru recebeu o ano 2002 num clima de tristeza, com lares afogados em pranto, onde se velava vítimas do incêndio de sábado à noite, que causou 270 mortes. Entretanto, ainda foi possível escutar a explosão de fogos artifícios na virada do ano.
A recente tragédia, que entristeceu as festas de fim de ano, não foi suficiente para evitar o uso de material pirotécnico, apesar de vários setores de Lima terem notado que a intensidade das comemorações foi menor que a do Natal.
Em muitas ruas de Lima, grupos de adolescentes queimaram bonecos que representavam o Ano Velho, mas evitaram os fogos de artifício. Nas últimas horas do ano que passou, várias personalidades fizeram apelos para que as comemorações fossem mais equilibradas, em respeito às vítimas do incêndio que arrasou um centro comercial na capital peruana.
À meia-noite, enquanto era possível escutar a explosão de alguns fogos de artifício, em cerca de 30 casas começava o velório de vítimas do incêndio. O necrotério entregou os primeiros corpos aos familiares apenas duas horas antes.
Centenas de pessoas estiveram no local o dia inteiro para fazer o reconhecimento dos corpos de familiares, tarefa extremamente difícil porque 80% dos corpos estavam irreconhecível, segundo testemunhas. O restante dos mortos serão identificados nos próximos dias, segundo as autoridades governamentais.
Ainda à meia-noite, dezenas de pessoas chegavam à capital peruana, em busca de familiares desaparecidos. Na região do incêndio, o centro comercial Mesa Redonda, que foi totalmente destruído pelo fogo, vários policiais mantinham o cordão de segurança, impedindo a entrada de pessoas. Algumas delas, que identificaram-se como familiares dos mortos, deixaram flores no local na passagem de 2002, em memória às vítimas.
Horas antes do fim do ano, o presidente Alejandro Toledo e seus ministros de Estado foram à Catedral de Lima para uma missa em homenagem aos 270 mortos no incêndio, celebrada pelo cardeal Juan Luis Cipriani.
Antes, Toledo reuniu-se com parte do seu gabinete ministerial para analisar a situação derivada do incêndio e depois disse numa coletiva de imprensa que os importadores, produtores e até comerciantes de produtos pirotécnicos serão castigados com penas que vão de três a dez anos. Essa e outras sanções estão contidas num projeto de lei que o Executivo apronta para submeter nos próximos dias ao Congresso da República.


