Londres, 03 (AE) - O jornal britânico Financial Times diz hoje, em editorial, que as perspectivas para a economia da América Latina são positivas, mas aconselha cautela para os investidores. Segundo o jornal, a previsão feita por alguns banqueiros durante o encontro anual do Banco Interamericano (BID) em Nova Orleans na semana passada, de que a região poderá receber em breve um grande fluxo de capital é uma boa notícia. "Mas isso não significa que os obstáculos para a economia da região acabaram", diz o FT.
O FT diz que a mudança favorável nas economias latino-americanas é óbvia. Analistas prevêem que o fluxo de capitais neste ano deve crescer cerca de 40%, atingindo seu maior nível desde 1997. A média dos spreads nos títulos dos países da região ciaram mais de três por cento desde meados do ano passado. Mas o jornal alerta que em muitos países - principalmente os menores - a melhora reflete apenas o aumento nos preços das commodities, "que pode não durar".
"Mas há razões para otimismo. Os governos estão se comprometendo com rigorosas políticas de ajuste fiscal e monetário; a maior parte do continente se recuperou da crise no ano passado; e as previsões de crescimento para este ano estão sendo elevadas para 4% neste ano", diz o FT.
Essa expansão, segundo o jornal, poderia ser ainda maior. A elevação do rate de créditos de investimentos do México, anunciada no mês passado pela Moodys, permitirá que fundos de pensão e seguradoras de vida comprem bens naquele país. "Enquanto esse dinheiro vai para o México, fundos para mercados emergentes vão se voltar para outros mercados de alto retorno, como o Brasil e a Argentina. Alguns opinam que essas economias poderiam também ter seus "grades" de investimentos elevados de dois a três anos. Isso reforçaria um processo de convergência similar ao do mercado de títulos europeu na segunda metade dos anos 90". Além disso, a "nova economia" da Internet e de comunicações pode estar começando a causar um impacto nessas economias maiores, colaborando no aumento nos preços das ações desde o terceiro trimestre do ano passado.
O FT alerta os investidores, no entanto, que a maior parte do continente latino-americano não vai se beneficiar com essas tendências. Investimentos diretos em ações estão concentrados no México e no Brasil. Muitas bolsas de valores da região estão vendo alguns de seus maiores estoques e liquidez migrarem para Nova York.
Além disso, empresários locais em vários países permanecem céticos em relação ao futuro de suas economias. Os investimentos de capital ciaram 25% na Venezuela no ano passado e não estão dando sinais de recuperação. A instabilidade política também está prejudicando o Equador, Colômbia, Peru e algumas partes da América Central e Caribe. "Pior ainda, toda a América Latina permanece vulnerável a qualquer deterioração significativa no cenário externo. O continente não produz capital suficiente por conta própria e não distribui eficientemente o que produz. Enquanto a região não fizer essas duas coisas, permanecerá vulnerável a eventos que ocorrerem fora de suas fronteiras", conclui o FT.

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