Perspectiva de vendas para o final do ano anima indústria
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domingo, 24 de outubro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 25 (AE) - Fabricantes de brinquedos, eletroeletrônicos e produtos têxteis estão otimistas com a possibilidade de repetir neste Natal o desempenho de 1998 e até registrar algum crescimento. As perspectivas mais favoráveis para as indústrias ainda não se traduziram na confirmação ou na ampliação de pedidos para o Natal por parte das lojas, o que deve ocorrer só na primeira quinzena do mês que vem.
Mas o pacote do governo para baixar juros, a disposição das empresas de recompor parte dos salários de categorias importantes com data-base em novembro, como metalúrgicos e químicos, por exemplo, e o apelo de vendas da virada do ano 2000 fizeram com as empresas melhorassem os prognósticos para o último bimestre.
Pesquisa - O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso disse, na semana passada, que tem certeza que o Natal será melhor. Recente pesquisa do Bicbanco, com 210 companhias, revela que 34,1% das empresas apostam em vendas maiores no Natal e 47,8% acreditam que vão repetir o desempenho do ano passado. Apenas 18,1% delas acham que as vendas do Natal serão menores em relação às de igual período de 1998.
"A nossa expectativa já era boa para o Natal e as medidas para baixar os juros nos deixaram mais otimistas", diz o presidente da Estrela, Carlos Tilkian. Só por conta da mudança cambial - que reduziu a entrada dos produtos importados concorrentes - e do sucesso de seus lançamentos, a empresa espera ampliar em 25% as vendas neste Natal em relação a igual período de 1998. Se os juros baixarem, esse porcentual poderá ser ainda maior, prevê o empresário.
Explosão - Tilkian pondera que não trabalha com cenário de explosão no consumo. O setor de brinquedos prevê crescimento de 8% nas vendas de Natal para este ano e, segundo o empresário, a Estrela está recuperando fatias de mercado. Os pedidos para o fim de ano devem começar a chegar na indústria dentro de uma semana. Ele argumenta que não tem números efetivos sobre crescimento nas encomendas.
"O consumo está represado", diz o diretor de marketing da Mattel, Marcello Pesce. Ele calcula que as suas vendas em dólar terão um créscimo de 10% neste fim de ano na comparação com 1998. Apesar de o orçamento estar apertado, a tendência é de o pai comprar um brinquedo mais caro para compensar o fato de não poder dar um a viagem de férias para o filho, argumenta.
"Depois de um ano todo sem consumir, as vendas vão ocorrer no fim de ano", prevê o diretor comercial da Moulinex/Mallory, Giovanni Cardoso. Também a expectativa da virada do ano 2000 deve criar um estímulo generalizado para o consumo, acrescenta. Na linha de eletroportáteis, a perspectiva do grupo é repetir o desempenho do ano passado.
Essa também é a expectativa da Walita, que poderá até registrar algum crescimento, segundo o gerente de comunicação da companhia, Guilherme Whitaker Penteado.
Reversão - As previsões da Eletros, associação que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, são de que o setor repita neste Natal o desempenho de 1998 por conta da perspectiva da redução das taxas de juros para o consumidor, que poderá refletir-se de fato em encargos financeiros menores no curto prazo.
Avaliação preliminar do mercado revela que a retração de vendas da indústria eletroeletrônica para as lojas, registrada no mês passado em relação a agosto, já se teria revertido em outubro, com acréscimo da ordem de 25% nas vendas da linha de imagem e som em relação a setembro. E a expectativa inicial dos fabricantes de fechar o ano faturando para o comércio 3,5 milhões de aparelhos de televisão já teria sido aumentada para cerca 4 milhões depois do pacote para reduzir os juros.
"Esperamos repetir o desempenho do ano passado", diz a gerente da Electrolux, Charlotte Ericsson. A empresa, que é especializada em eletrodomésticos de grande porte, como geladeiras, freezers e fogões, além de aspiradores de pó, informa que ainda não começou a receber os pedidos de Natal. A Philips, especializada na linha de imagem e som, informa que as encomendas de fim de ano chegam na indústria geralmente na primeira quinzena de novembro.
Têxteis - Quem produz artigos têxteis também está otimista com a perspectiva de queda dos juros, apesar de não ter as vendas influenciadas diretamente pelo crediário. Nas contas do presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf, as vendas no Natal deste ano deverão crescer
no mínimo, 5% em relação às de igual período de 1998.


