Genebra, 12 (AE-AP) - Cinquenta anos depois que foram assinadas as Convenções de Genebra no Salão Alabama da prefeitura local, o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, estava entre as 14 personalidades internacionais que retornaram à sala hoje (12) para pedir aos governos e exércitos que protejam vítimas inocentes de guerras.
Numa declaração reafirmando os objetivos dos tratados originais, eles pediram a todos os povos para rejeitarem a idéia de que a guerra é inevitável e exigiram que aqueles envolvidos em conflitos armados respeitem as leis humanitárias internacionais.
"As Convenções de Genebra têm por meio século representado a determinação da humanidade de garantir, mesmo no meio de uma guerra, um mínimo de respeito aos princípios humanitários", disse Annan num discurso para cerca de 500 convidados.
As Convenções de Genebra foram criadas após a Segunda Guerra Mundial para estabelecer padrões de tratamento de não-combatentes como civis, prisioneiros de guerra e pessoal médico.
Elas proíbem ações como tortura, execução, deslocamentos forçados e danos deliberados a prédios e instalações não-militares e especificam como devem ser tratados prisioneiros de guerra e detidos.
Os tratados foram assinados por 188 nações, mas eles não são sempre respeitados, e existe uma generalizada percepção de que não existe um mecanismo efetivo para capturar e condenar pessoas culpadas de crimes de guerra.
Chris Moon, um especialista em desativação de minas terrestres que perdeu parte de um braço e de uma perna quando uma mina explodiu enquanto ele trabalhava em Moçambique, disse que era vital punir aqueles que cometeram atrocidades.
"Temos de estabelecer que para aqueles que cometeram crimes contra a humanidade não haverá lugar onde se esconder", disse Moon.
O príncipe Hassan, da Jordânia, que também assinou o apelo, afirmou que as convenções representam uma ponte entre culturas que têm conceitos diferentes sobre o que é certo e o que é errado.
"A soberania de um Estado não dá a ele licença para brutalizar pessoas, ou negar o direito à dignidade a pessoas de outros Estados. Nem ela concede a estados individuais o direito de cometer genocídio dentro de suas fronteiras sob o eufemismo de limpeza étnica", discursou ele.
Entre os outros convidados ao evento estavam a presidente suíça, Ruth Dreifuss, o cantor e poeta libanês Fayrouz, a violonista britânica Vanessa Mae e o diretor chinês Zhan Yuan.
As cerimônias, organizadas em conjunto pela cidade de Genebra, o governo suíço e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha - os guardiães das convenções - estão sendo tratadas não como celebrações, mas como uma oportunidade de marcar os sucessos dos tratados e discutir como eles podem ser melhorados.
Cornelio Sommaruga, presidente da Cruz Vermelha, disse que ele estava "dividido entre a alegria de celebrar este desenvolvimento positivo na história da humanidade e a decepção de não ser capaz de fazer mais.
"Mas temos de marcar este aniversário olhando para o futuro", acrescentou.

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