Perseguição a navios provoca debate sobre defesa no Japão
Japão, 24 (AE-REUTERS) - A perseguição a dois navios - supostamente espiões norte-coreanos - que invadiram as águas do Japão causou a maior ação militar desde a Segunda Guerra Mundial e reações da China e dos Estados Unidos.
Os dois navios - disfarçados de barcos de pesca - foram perseguidos ontem (23) durante cerca de 24 horas pela guarda costeira e por destróieres da Marinha japonesa, que dispararam um total de seis tiros de advertência. As embarcações fugiram, então, em direção à Coréia do Norte.
Esta foi a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que o Japão fez uso de navios militares. A perseguição foi suspensa na manhã de hoje.
O chefe da Agência da Defesa, Hosei Norota, disse que não tinha condições de identificar a nacionalidade das embarcações, mas afirmou que ambas tinham nomes falsos e estavam equipadas com antenas suspeitas. Apesar de não terem bandeira, acredita-se que os navios fossem norte-coreanos, informação negada por Pyongyang.
O primeiro-ministro Keizo Obuchi defendeu o envio das embarcações militares e admitiu que é preciso analisar meios de repelir futuros invasores. Na semana passada, o Parlamento japonês começou a debater os projetos de lei que prevêem a cooperação militar com os Estados Unidos.
Em Washington, o porta-voz do Pentágono, Kenneth Bacon, disse que os Estados Unidos colocaram aviões de busca à disposição do Japão, a fim de possibilitar o rastreamento dos navios invasores. A mesma atitude foi tomada pela Rússia.
Também a China e a Coréia do Sul revelaram estar acompanhando de perto o incidente.
O Japão é regido por uma constituição pacifista, que pede que o uso da força só seja efetivado em casos claros de legítima defesa.





