Buenos Aires, 10 (AE) - Ofendidos, os deputados peronistas não aplaudiram o discurso do novo presidente. para o senador Jorge Yoma, velho aliado do ex-presidente Carlos Menem, o discurso de De la Rúa, foi "uma mensagem de confronto". Outro deputado peronista, Humberto Ruggero, afirmou que não entendia as críticas de De la Rúa. "Nós passamos o país com a economia em ordem e sem inflação."
Os peronistas, que durante o governo Menem aceitaram sem discussões enormes aumentos tributários, mudaram de opinião sobre crescimento de impostos, e desta vez estão determinados a não aprovar o grande pacote tributário anunciado pelo novo ministro da Economia, José Luis Machinea, há mais de duas semanas.
Entre as medidas do governo De la Rúa estão um aumento de 4% nos impostos internos que taxam refrigerantes, vinhos, telefonia celular, perfumaria e produtos de luxo.
O pacote também implicará no imposto sobre receita para aqueles que possuírem salários acima de US$ 1.350. O Imposto de Valor Agregado (IVA) será aplicado aos planos de saúde com uma taxa de 10,5%.
O novo governo também pretende reduzir US$ 1 bilhão em gastos públicos e arrecadar US$ 2 bilhões adicionais. A reforma está destinada a reduzir o déficit fiscal.
Segunda-feira chega a missão do Fundo Monetario Internacional (FMI) a Buenos Aires, para conhecer o verdadeiro déficit fiscal. A meta pactada para este ano pelo governo Menem era de US$ 5,1 bilhões, mas segundo Machinea, poderia ser de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões, mais do dobro que o previsto.
Isso poderia levar a equipe econômica de De a Rúa a pedir um waiver ("perdão") ao FMI. Só em novembro o déficit mensal foi de US$ 1 bilhão, ou seja, 263% acima do mesmo mês do ano passado.
Como última ironia a seu sucessor, Roque Fernández, ministro da Economia até esta sexta-feira, deixou a Machinea um capacete do exército sobre sua escrivaninha. Em cima, um cartão: "Muita sorte".

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