Permanência na fazenda é ponto de honra para MST A Fazenda Figueira tem cerca de 1,2 mil alqueires e se tornou um ‘‘ponto de honra’’ para o MST manter sem-terra na área. ‘‘Aqui era um centro de abrigo de pistoleiros’’, disse um dos coordenadores do movimento na região, Florestan Cardoso. Ele lembra que em fevereiro de 1998 um grupo de 50 ‘‘pistoleiros’’ retirou mais de 70 famílias acampadas na Fazenda Boa Sorte, em Marilena (79 km a noroeste de Paranavaí). Durante a operação o sem-terra Sebastião Camargo Filho, 65 anos, foi morto com um tiro na cabeça, disparado por uma escopeta à queima-roupa. No dia seguinte à desocupação sete dos 50 pistoleiros acusados de retirar os sem-terra foram presos na Fazenda Figueira. Inclusive Jair Firmino Borracha, 37 anos, apontado como autor do disparo contra Camargo. ‘‘O pessoal que ficava aqui na Figueira treinava tiro e aprendia a bater em sem-terra’’, conta Cardoso. Em setembro do ano passado, cerca de 150 famílias, com mais de 160 crianças, invadiu a fazenda. Um dos proprietários, Marcelo Aguiar, da Agropecuária Santa Maria, disse que a área abrigava mais de 4 mil animais de alta linhagem. No início deste ano, com ajuda da Polícia Militar, o fazendeiro conseguiu vacinar parte do rebanho. Na sexta-feira da semana passada, em uma operação envolvendo 600 PMs e que deixou 12 feridos e 31 sem-terra presos, a fazenda foi desocupada. Os sem-terra foram levados para o ginásio de esportes de Terra Rica, a 26 quilômetros de Guairaçá. Anteontem o Incra fez o recadastramento dos sem-terra que estavam no ginásio de esportes. Das mais de 150 famílias, 52 concordaram em se recadastrar para outra área. ‘‘A Figueira é improdutiva e queremos um assentamento aqui’’, afirma Cardoso. (M.Z.)