Permanência do PFL no governo depende de tratamento recebido, diz ACM
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sábado, 22 de maio de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 23 (AE) - O PFL vai condicionar sua permanência na aliança, até o fim do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, no ano 2002, ao tratamento que receber do governo. O alerta é do presidente do Congresso e principal cacique do PFL, senador Antonio Carlos Magalhães (BA), ao Palácio do Planalto. "Se o governo for nos discriminar em função de outro candidato não tem porque o PFL ficar apoiando o governo", disse ACM.
ACM reconhece que a base do partido está insatisfeita com Fernando Henrique, o que vem desgastando a imagem do presidente entre as lideranças do PFL. Uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), há duas semanas, revelou que metade (48%) dos convencionais do partido considerou apenas regular a atuação do presidente Fernando Henrique na gestão da crise, que culminou com a desvalorização do real, e outros 22% disseram que o desempenho dele no episódio foi ruim ou péssimo.
Mesmo assim o senador baiano é cauteloso sobre um possível rompimento do PFL com o Planalto depois das eleições municipais do próximo ano. Para ACM, o compromisso que houve durante a eleição do ano passado tem de ser mantido no governo. "Mas isso não quer dizer que temos de concordar com tudo o que o governo deseja fazer, até porque o PSDB também não concorda com tudo e é o partido do presidente", alfineta ACM.
O alerta do senador baiano acontece no momento em que o PFL se indispõe com o PSDB, principalmente pelas posições adotadas pelo ex-ministro tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros, que defende uma opção mais agressiva do governo pelo desenvolvimento, com ênfase no crescimento econômico. A crise entre os dois partidos aliados acabou se transformando na principal preocupação do presidente Fernando Henrique na semana passada. "Isso não ajuda o governo", reconhece ACM. "Mas é uma defesa do PFL contra Mendonça."
Os principais trechos da entrevista: Agência Estado - Para lançar candidatura própria o PFL terá de deixar o governo em algum momento. Quando isso acontecerá? Antonio Carlos Magalhães - Isso não significa que deixaremos o governo já no ano 2000. Acho que essa separação deve acontecer em 2002. Mas a discussão sobre a possibilidade de deixar a aliança vai além. Depende do comportamento do governo na eleição presidencial: se vamos ser tratados como aliados, ou se vamos ser tratados como adversários. Depende muito mais do governo continuarmos na aliança do que de nós. Caso o governo nos discrimine em função de outro candidato não tem porque ficar apoiando o governo. AE - Dentro do PFL já há quem defenda um rompimento com o Planalto a partir do ano 2000, como estratégia para lançar uma candidatura própria em 2002... ACM- No meu entendimento o partido não vai se afastar do presidente Fernando Henrique no ano 2000. Nós tivemos compromisso com a sua eleição, temos compromisso com o seu governo. Isso não quer dizer que tenhamos de concordar com tudo o que o governo deseja fazer, até porque o PSDB também não concorda com tudo e é o partido do presidente. Não há esse propósito de deixar o governo. Agora, é evidente que as condições de ficar no governo são as que hoje existem do presidente em relação ao partido, sem diferenciá-lo dos outros aliados. AE - O PFL cansou de ser vice? ACM - Não nos interessa ser vice novamente. ACM - O partido já começa a defender uma independência maior em relação à posição do governo, tanto é verdade que 73% dos convencionais do PFL preferem apresentar as propostas do partido para a sociedade do que formular políticas e levá-las ao governo... ACM - Mas é bom lembrar que as políticas do partido não estão confrontando com as políticas do governo, ainda. Pode ser que num programa de partido para a eleição fiquem diferentes. AE - Mas nessa mesma pesquisa feita pelo Ibep, a metade dos convencionais considerou regular a atuação do presidente Fernando Henrique na gestão da crise econômica, o que é grave já que o PFL é o principal partido da base... ACM - São lideranças que estão desgostosas com o tratamento nos Estados. Isso demonstra um desgaste do presidente Fernando Henrique no partido. AE - Essa posição afirmativa do PFL, juntamente com o debate mais crítico que está sendo levantado pelo ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, pode provocar um desgaste entre o PFL e o PSDB? ACM - É o Mendonça de Barros quem está criado essa divisão. Não somos nós. Até porque isso não existia antes. No fundo é uma defesa do PFL contra o Mendonça. Isso não ajuda o governo. AE - Foi divulgada uma pesquisa muito negativa, pela revista Época, em que 26% dos entrevistados disseram que o presidente Fernando Henrique é o homem que mais envergonha o Brasil na atualidade. É possível reverter um índice tão baixo de popularidade... ACM- Isso é um momento, que vai ser revertido. Ele pode não ter a popularidade que já teve. Mas vai reverter muito esse quadro negativo.


