Brasília, 25 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso decide amanhã (26), às 16 horas, o destino do secretário de Política Urbana, Ovídio de ¶ngelis, acusado de favorecer o seu estado de origem, Goiás, com o repasse de verbas de forma irregular. Até lá, o presidente espera ter em mãos um relatório produzido pelo Planalto informando sobre as últimas ações de Ovídio antes de deixar a Secretaria de Políticas Regionais. Há divergências entre os valores que Ovídio de ¶ngelis diz ter liberdado para Goiás e os dados que o governo dispõe. De acordo com auxiliares próximos ao presidente, a situação de Ovídio é "muito delicada".
O líder do PMDB na Câmara, deputado Gedel Vieira Lima, saiu, mais uma vez, em defesa de Ovídio, alegando que ele não contrariou a lei ao destinar mais verbas para Goiás. Para ele, nada mais natural do que ministros darem tratamento "mais simpático" aos seus estados. O deputado considerou uma "hipocrisia" discutir essa questão, nestes termos.
Gedel lembrou que a decisão de nomear e demitir ministros e secretários é do presidente. Observou, no entanto, que ficaria muito decepcionado se o secretário Ovídio fosse afastado do cargo por pressões da imprensa e do PT. "Tenho certeza que o presidente Fernando Henrique, após ouvir Ovídio, tomará uma decisão em função dos fatos", acrescentou o líder, que aproveitou ainda para atacar o coordenador político do governo e ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, a quem não reconhece como interlocutor do presidente. Esse papel, na sua opinião, só poderá ser desempenhado pelo recém nomeado secretário geral da Presidência, deputado Aloysio Nunes Ferreira.
Mas dentro do próprio PMDB há quem não gostasse da postura adotada pelo secretário que trocou de posto no governo federal e deixou um companheiro de partido, o senador Fernando Bezerra, que assumiu o Ministério da Integração Nacional, com um problema para resolver. Os peemedebistas querem, entretanto, pressa na solução do caso, para não expor Ovídio de ¶ngelis e que Fernando Henrique, antes de tomar qualquer decisão, não deixe de ouvir as explicações do secretário, o que acontecerá amanhã (26) à tarde, no Planalto.
Eles advertem, no entanto, que caso Ovídio deixe o governo, a vaga terá de ser dada a outro integrante do partido, para que o equilíbrio de forças seja mantido. Os peemedebistas lembram ainda que Goiás preferia ter ficado com o Ministério da Ciência e Tecnologia mas o próprio presidente quis manter Ovídio. Portanto, a vaga tem que ficar com o PMDB.
No Palácio, surgiu a hipótese de que o caso Ovídio de ¶ngelis poderia ser encaminhado para avaliação pela comissão de ética que está sendo criada para julgar as ações de integrantes do governo. Mas a idéia acabou sendo afastada porque se chegou a conclusão que as pessoas que compõem a comissão não teriam essa legitimidade. Portanto, caberá a Fernando Henrique tomar a decisão.
Auxiliares do presidente acreditam, entretanto, que a solução para o caso Ovídio será emblemática e dará o tom do governo, daqui para a frente. Depois de dois fortes discursos, nos quais o presidente anunciou a nova cara do governo, de acordo com auxiliares palacianos, ele não poderá deixar de agir exemplarmente, para não se desmoralizar.

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