Brasília, 4 (AE) - A decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de demitir o ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, foi apoiada pelos principais aliados. Há praticamente um consenso entre eles de que a permanência de Carvalho no governo dificultaria a condução da política econômica e o relacionamentoe do presidente com o Congresso, porque seria visto como a perda de sua autoridade.
"O presidente agiu acertadamente", afirmou o presidente e líder do PMDB, Jader Barbalho (PA). Para o senador, as divergências devem ser tratadas internamente, "principalmente em assuntos econômicos".
O governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (PSDB), elogiou Clóvis Carvalho, a quem considera "um homem brilhante e de muito valor", mas reconheceu que não havia outra saída para o presidente. "Numa orquestra se admite até mesmo um ou outro desafinado, mas todos tem de tocar a mesma música", avaliou o governador. Para ele, a iniciativa de Carvalho de contestar os rumos da política econômica "foi um erro difícil de corrigir".
O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), viu a decisão de Fernando Henrique como retomada de comando. "Todo mundo reclama que o presidente não usa sua autoridade", lembrou. "Agora o presidente usou." Para Bornhausen, a autoridade do presidente foi exercida de maneira rápida dessa vez. "Ele seguiu o Código de Ética, proposto pelo próprio Clóvis."
O secretário nacional de Direito Humanos, José Gregori, amigo pessoal de Fernando Henrique Cardoso, foi sucinto no seu comentário. "O presidente tem seu lado sorboniano, de negociação, mas também tem seu lado de filho de general com índia", afirmou.
O vice-presidente do PSDB, senador Paulo Hartung (ES), lembra que o governo está num momento delicado. "Como o governo ficou adormecido, na imobilidade, a margem de manobra e o tempo é muito pequeno, por isso é preciso atitude", defendeu.
Para o vice-presidente da Câmara, Heráclito Fortes (PFL-PI), "não havia condições do presidente não demitir Clóvis". Ele disse ainda que o ministro demitido "calado, era uma beleza, mas quando abria a boca, se queimava".
O senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), comemorou o gesto rápido do presidente: "Foi nesse Fernando Henrique que eu votei, em duas eleições", argumentou. "É inadmissível manter na equipe alguém que quer incendiar o barco."
O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (AM), foi enfático ao apoiar a demissão. "O Malan já havia conversado com todos os partidos e o Clóvis Carvalho, no discurso, perdeu a sintonia do que já estava sendo combinado no governo."
O líder do PT na Câmara, José Genoino (SP), disse não considerar o episódio encerrado. "As críticas existentes no próprio governo mostram que a política econômica está superada". argumentou. "Está na contramão dos movimentos da sociedade." Para ilustrar sua descrença, o petista lembrou que só neste ano, já viu o presidente Fernando Henrique "tomar posse três vezes, sem conseguir levar adiante suas propostas".

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