Brasília, 11 (AE) - O ministro da Justiça, Renan Calheiros, poderá deixar o governo na próxima terça-feira (15). Até lá pretende analisar a conveniência de permanecer na equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso. Isolado desde a noite da quinta-feira na fazenda de sua mãe, no interior de Alagoas, Renan irá analisar a repercussão da crise que ocorreu ao longo da semana, motivada pelo impasse na escolha do novo diretor da Polícia Federal, cargo subordinado a sua pasta.
Se houver uma avaliação negativa do caso, principalmente por parte da imprensa, ele irá sair do governo, mesmo contra a vontade do PMDB. "O presidente Fernando Henrique e o PMDB demonstraram por várias formas e por várias vezes que o ministro Renan deve permanecer à frente do Ministério da Justiça", enfatizou o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, seu colega de partido e de governo. Apesar de todas as demonstrações explícitas de solidariedade e prestígio, Renan Calheiros, continua magoado. Ele considera insuficientes as declarações feitas em sua defesa pelo porta-voz da Presidência na última quinta-feira.
O PMDB tenta segurá-lo no cargo de todas as formas. A avaliação é de que a saída de Renan neste momento seria negativa para o partido. Durante todo o dia de hoje, caciques peemedebistas ficaram em contato permanente com Renan para tranquilizá-lo. A estratégia das lideranças do partido, como o deputado Geddel Vieira Lima (BA) e o senador Jader Barbalho, era de monitorá-lo até segunda-feira, quando Renan deverá estar de volta à Brasília. "Até agora Renan só não saiu porque o partido não deixou", revela um deputado peemedebista.
Na última terça-feira, quando estourou a crise provocada pelas declarações do ministro das Comunicações e articulador político do governo Pimenta da Veiga desautorizando Renan, o PMDB chegou a decidir pelo desligamento do partido do governo. Numa reunião que aconteceu na tarde daquele mesmo dia no gabinete do senador Jader Barbalho, Renan chegou a anunciar que iria deixar o cargo. Ouviu do ministro Eliseu Padilha que caso tomasse essa decisão, ele também deixaria o governo. A iniciativa dos dois ministros foi seguida por toda a cúpula peemedebista, que acabou voltando atrás depois de uma avaliação mais criteriosa da atual conjuntura política.
Os peemedebistas estão incomodados com as insinuações de tucanos e pefelistas que defendem a saída do PMDB da base aliada. Um integrante da cúpula do PMDB rebateu a análise feita pelos aliados de que a exclusão do partido da base de sustentação do governo não significaria maiores prejuízos ao presidente, já que o partido sairia dividido e enfraquecido. "Quem fica enfraquecido com a saída do PMDB é o presidente Fernando Henrique, que já não está bem nas pesquisas", rebate esse dirigente peemedebista. Segundo ele, com o atual desgaste do governo, dificilmente o partido sairia desunido. Pelo contrário. A avaliação é de que para dividir o PMDB o governo teria que pagar um preço muito caro e mesmo assim ficaria com uma oposição fortíssima.
"Mesmo que o presidente consiga manter 50% do partido ao lado de sua base de apoio, a outra metade do PMDB seria capaz de causar grandes estragos ao se unir com a oposição", comenta esse peemedebista, lembrando que a metade que ficar com o governo passará a fazer uma chantagem permanente por cargos e verbas. Segundo ele, a eventual divisão do partido acabaria causando uma forte rebelião.
"Dessa forma será praticamente impossível evitar qualquer CPI ou até mesmo um eventual impeachment", ameaça. "Diferente de alguns tucanos, o presidente sabe que existe um risco muito grande da sua governabilidade e não quer que o PMDB saia da aliança". Ele lembra que na pior das hipóteses, num eventual rompimento, o PMDB manteria em seu núcleo os atuais caciques, entre eles o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP). "Já pensou no favor que o Temer fez ao rejeitar a abertura de um processo para apurar crime de responsabilidade contra o presidente?", questionou esse peemedebista, cobrando a fatura. "Mas sem o PMDB no governo as coisas serão diferentes."

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