Brasília, 06 (AE) - Peritos da Polícia Civil do Distrito Federal (DF), após análise das fitas de vídeo com imagens da operação da Polícia Militar (PM) que deixou um morto e dezenas de feridos, na quinta-feira, em Brasília, já têm um suspeito de ser o autor do tiro com munição real de escopeta calibre 12, que matou o jardineiro José Ferreira da Silva.
Desde ontem, os 19 PMs - 4 oficiais e 15 soldados - estão presos em quartel do Batalhão de Operações Especiais (Bope), onde servem. Todos eles portavam escopetas na ação.
Nervoso e impaciente diante das perguntas dos jornalistas, o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), anunciou que indenizará a família do jardineiro Silva, morto em ação da PM contra piquete de servidores públicos que reivindicavam reajuste salarial, e os dois feridos que ficaram cegos de um olho. Roriz insinuou que o assassinato pode ter sido um atentado ao seu governo.
"Vamos descobrir se foi alguém de partido político ou se foi uma decisão pessoal de um assassino", declarou Roriz, admitindo
porém, que os disparos com municão real partiram de um policial. Segundo o governador, o tiro não atingiu o seu governo "como talvez tenha desejado o autor do disparo".
Hoje, o delegado da Polícia Federal (PF) Edmo Aquino Salvatore foi indicado pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, para acompanhar a investigação.
Os peritos pediram prazo de dez dias para concluir o laudo indicando o autor do tiro que matou o jardineiro da Novacap, empresa de urbanização do DF. Nesse período, os peritos vão analisar novamente as imagens do assassinato.
A indenização foi anunciada por Roriz em cerimônia de apresentação do novo secretário de Segurança Pública, José de Jesus Filho, e faz parte do conjunto de medidas adotadas após o abalo que a morte do jardineiro provocou na imagem do governo do DF.
O projeto de indenização enviado hoje à Câmara Legislativa beneficia também as famílias de seis vítimas mortas no ano passado, em confronto da PM com invasores numa área do DF, durante a gestão do ex-governador Cristovam Buarque (PT).
Serão contemplados ainda os seis feridos no ano passado, além Cláudio Cesar Cabral Gomes e Jesus Ferreira Machado, cegos de um olho na quinta-feira por disparos à queima-roupa com balas de borracha. O valor final das indenizações será definido após a aprovação do projeto.
O novo secretário de Segurança reuniu-se com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, para definir a atuação da PF. O caso está sendo apurado tanto por Inquérito Policial Militar quanto pela Polícia Civil.
Foram instaurados quatro inquéritos. Amanhã deverá ser nomeada uma comissão com a participação de entidades de direitos humanos
do Ministério Público, da PF e do governo federal para acompanhar a apuração. Segundo José Filho, a atuação da PF será apenas de acompanhamento, podendo sugerir procedimentos.

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