Peritos liberam edifício com rachadura em Taboão da Serra
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segunda-feira, 15 de novembro de 1999
Por Jobson Lemos 
São Paulo, 15 (AE) - Depois de quase 40 horas de angústia e espera, os moradores do Edifício Torre Azul puderam voltar para casa hoje. Na madrugada de domingo (14), o prédio do condomínio Torres de Taboão, em Taboão da Serra, Grande São Paulo, tiveram de deixar seus apartamentos às pressas. Uma rachadura na parede do número 42 levou a Polícia Técnica e a Defesa Civil a interditar a construção. Na tarde de hoje, um laudo de engenheiros independentes constatou que não havia riscos de desabamento.
Os engenheiros Tito Livio Ferreira Gomide, Alcides Ferrari Neto Antônio Sérgio Liporoni, membros do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (IBAPE), atestaram que não houve comprometimento de pilares, vigas ou lajes. Eles realizaram uma inspeção em 12 apartamentos do edifício na madrugada de hoje. "Houve uma deformação natural do concreto, e no 42 essa deformação foi maior", disse Liporoni. De acordo com Ferrari Neto, isso fez que partisse o revestimento de gesso e no apartamento mais atingido surgisse uma fissura na parede.
O proprietário da Incorporadora Reitzseld garantiu que todas as providências serão tomadas para resolver os problemas apontados pelos técnicos. "Medidas para entregar as habitações na mais perfeita ordem." Renato Reitzseld acredita que houve excesso de zelo, mas não criticou a atitude da prefeitura de Taboão da Serra. "Eu, se fosse morador, até faria o mesmo." O secretário de Obras da cidade, Orlindo de Jesus Domingos, concorda com o excesso, mas acredita ter tomado a decisão correta diante das circunstâncias. "Quando fomos chamados para ver a parede, ficamos preocupados", disse. "Preferi pecar por excesso por não ter como medir a extensão do problema."
OBRAS- Durante a tarde de hoje, numa reunião entre representantes dos moradores, peritos, engenheiros da prefeitura e empresários responsáveis pela construção e venda do imóvel ficou decidido que seis apartamentos permanecerão fechados para que sejam solucionados os problemas apresentados. Os de números 41 e 42 devem estar prontos para que os moradores voltem em uma semana. Os de números 51, 52, 71 e 72 necessitam, segundo Reitzseld, de apenas um dia para estarem em perfeito estado. Durante esse período será oferecido aos moradores um outro apartamento. De acordo com o empresário, essa medida se deve não a algum possível risco, mas apenas para preservar o conforto e a privacidade das famílias durante o tempo em que os operários estiverem fazendo os acertos nas paredes.
Além disso, também ficou acertado que num prazo máximo de 30 dias os peritos do IBAPE realizarão vistoria em todos os outros apartamentos do edifício. De acordo com Domingos, a prefeitura não tem dúvidas quanto a segurança atestada pelo laudo, quer apenas que não reste dúvidas de que isso possa voltar a ocorrer e de alguma forma vir a comprometer a estrutura do edifício no futuro. Aos moradores, a informação de que poderiam dormir em casa foi um alívio. "Vamos dormir na nossa cama, graças a Deus", disse Rosângela Anacleto. Ela não via a hora de ver se todas as suas coisas estavam bem. "Quero voltar só prá ver se as paredes do meu apartamento estão no lugar." Para Adalberto Augusto Benício, morador do apartamento 42, a notícia veio trazer a tranquilidade roubada nas duas últimas noites. "Tenho saudades de tudo da minha casa." Enquanto não podiam voltar para o prédio, alguns moradores contaram com a solidariedade dos vizinhos dos outros dois prédios do condomínio. No salão de festas de um deles foi improvisado um dormitório coletivo com colchões emprestados. Ainda sem saber o que poderia ocorrer em consequência das rachaduras, a prefeitura autorizou que os moradores entrassem em seus apartamentos por 10 minutos e retirassem o que fosse necessário. O representante comercial Caubi Teixeira Lima, de 36 anos e sua mulher, Terezinha de Jesus Dias, de 40, apanharam cobertores e, nervosos por causa da situação, mal se lembraram de apanhar roupas para o caso de o prédio permanecer lacrado. O casal mora de aluguel e pensa em mudar-se o quanto antes. "Preciso conversar com o proprietário porque quero sair, e minha mulher ficou muito assustada", disse Lima.
A guia de turismo, Sônia Souza, de 31 anos, também falava em mudança pela manhã. Ela teme, entretanto, que o episódio desvalorize seu imóvel. "Pago R$ 1.200,00 de prestação." Ela lembrou do desespero que encontrou entre os seus vizinhos ao chegar em casa sem ainda saber o que ainda ocorria. "O prédio vai cair, vai cair", diziam, segundo ela. Para Maria Aparecida Miranda Dias, de 46 anos, o que a situação deixou de positivo foi a solidariedade dos outros moradores. Alguns que ela nem sequer conhecia. "Eles estão sendo muito legais. Ofereceram para que dormíssemos em suas casas mas não quisemos incomodar." Ela, o marido e dois filhos dormiram no salão improvisado como dormitório.


