Peritos criminais de todo o País participam hoje de uma audiência pública no Senado para discutir a aprovação de uma lei que determina a criação de um banco de dados com amostras de DNA de presos. Os registros de DNA podem permitir a identificação rápida de detentos que voltem a cometer crimes após ganharem a liberdade, de acordo com os peritos.
Segundo o presidente da Associação dos Peritos Criminais Federais (APCF), Hélio Buchmnller, a Polícia Federal já possui um sistema eletrônico para o armazenamento de perfis genéticos. O programa de computador, intitulado Codis, foi cedido à PF pelo FBI, órgão de investigação federal dos Estados Unidos. Atualmente o sistema só está sendo usado pela PF para investigações com amostras de DNA recolhidas nos locais de crimes.
Para o perito criminal, Luís Noboru, do Instituto de Criminalística (IC) em Londrina, a criação de um banco de dados é importante para o trabalho de investigação. ''Hoje muitas vezes a gente consegue coletar amostras de saliva ou sangue na cena de um crime, mas não tem com o que confrontar'', explicou.
Em Londrina não existe um laboratório de análise de DNA. Somente em Curitiba peritos possuem a estrutura necessária e analisam material coletado em todo o Estado. ''Hoje nós não temos uma sede ainda, então não tem nem como pensar na criação em laboratório aqui. É necessário um investimento muito grande, não só para implantação, mas também manutenção, custos com pessoal'', afirmou Noboru, perito há 16 anos.
De acordo com Francine Matias de Paula, perita também do IC em Londrina, ''não há uma média de quantas amostras são enviadas por mês para a capital.'' ''Depende muito da quantidade de crimes, como homicídios ou estupros que acontecem, e se houve possibilidade de coletar amostras'', declarou.
Segundo ela, ''na maioria dos casos hoje só se consegue solução se há algum suspeito do crime.'' ''Com o banco teríamos uma melhoria enorme, pois mesmo sem suspeito claro daria para confrontar as amostras'', disse.
O promotor da 1 Vara Criminal em Londrina, Marcelo Machado, também vê com bons olhos a criação do banco de dados DNA. ''O processo de identificação do réu sempre precisa ser aprimorado. Além dessa questão do DNA o Brasil também deve criar urgentemente a identidade única. Hoje uma pessoa consegue fazer mais de uma identidade no Brasil, simplesmente mudando de Estado e isso dificulta muito trabalho de investigação.''
Em relação à lei que pretende colher amostras de DNA de detentos no País, Machado faz um alerta: ''Sou favorável, mas a coleta do material deve obedecer direitos constitucionais. Não se pode extrair nenhuma amostra de uma pessoa sem autorização.''
De acordo com a perita Francine, esse tem sido um dos grandes entraves. ''Já há algum tempo existe essa discussão, mas acredito que o País deveria seguir o exemplo de outros países, como os Estados Unidos, que têm esse banco de dados, e não só para presos.''
No Congresso tramita um projeto de lei do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que determina a coleta de amostras de DNA de presos condenados por cometerem crimes hediondos.(Com Folhapress)

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