O Instituto de Criminalística de Londrina (ICL) começou a fazer ontem uma varredura na picape Ford Ranger que teria sido usada pela quadrilha que sequestrou e assaltou o Boeing da Vasp na última quarta-feira para roubar R$ 5 milhões, pertencentes ao Banco do Brasil (BB). O veículo encontrado quinta-feira no meio de um canavial em Porecatu (85 km ao norte de Londrina) foi rebocado para o ICL ontem de manhã.
De acordo com os documentos do veículo, encontrados no porta-luvas, a picape foi comprada em Paranavaí (Noroeste do Estado) por Júlio Alt Viveiros. Na autorização para a transferência do veículo constam o RG número 021 295 e o CPF 104 911.201.68. ‘‘Os documentos serão encaminhados para o setor de documentoscopia, onde será verificada a autenticidade do RG e CPF’’, afirmou o perito criminal Luís Noboru Marukawa. A suspeita inicial é que os documentos e o nome do comprador sejam falsos. O chefe em exercício da Polícia Federal de Londrina, João Luiz do Prado, argumentou que o nome de Júlio Alt Viveiros não está na relação de passageiros do vôo 280 da Vasp.
Marukawa disse ainda que os peritos estão tentando encontrar impressões digitais nos documentos. Ontem não foram encontradas digitais no interior da cabine da picape e a intenção é desmontar o veículo em busca de provas. Só havia o que os técnicos chamam de borrões. Até os fragmentos de solo encontrados no interior da Ranger devem ser analisados pelo ICL. Também foi solicitada uma inspeção veicular para descobrir se a picape tem chassi remarcado. ‘‘Quero fazer uma pesquisa mais apurada na cabine do veículo’’, adiantou Luís Marukawa.
O chefe-adjunto do ICL, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, acredita que os peritos possam encontrar provas que levem aos suspeitos pelo assalto e sequestro do Boeing. ‘‘Com essa camionete temos um campo maior de trabalho, cuja intenção é identificar o autor ou os autores desse delito. Nosso objetivo é identificar imediatamente quem são as pessoas para uma busca correta da polícia. Em segundo lugar encontrar provas para depois sustentar uma instrução criminal’’, explicou.
Sobre as impressões coletadas no interior do Boeing que fazia o vôo 280 da Vasp, o perito criminal Marco Antonio Otta disse ontem que até agora foram encontrados três fragmentos de impressões: em uma revista de bordo, num frasco de bebida energética e outra em um copo plástico. Os objetos foram recolhidos no provável local onde sentaram os cinco ladrões e melhor fragmento de impressão está sendo trabalhado em computador. ‘‘Tecnicamente, para você obter 100% de uma impressão, é preciso ter pelo menos 18 pontos. Em princípio identificamos oito pontos no melhor fragmento’’, comentou Marco Antonio Otta.
Ainda estão sendo analisados o pomo do câmbio do veículo (que foi arrancado), uma embalagem de uísque e uma garrafa de vodca, ainda fechada. Os peritos também procuram fios de cabelo, manchas orgânicas ou mesmo bitucas de cigarro que possam dar pistas sobre as pessoas que usaram a Ford Ranger. Os laudos do ICL devem ser divulgados na próxima semana.

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