Peritos apresentam as
armas dos despejados
Peritos da Polícia Civil apresentaram ontem, em Paranavaí, o ‘‘arsenal’’ encontrado em poder dos sem-terra desalojados na semana passada da Fazenda Figueira, em Guairaçá (26 quilômetros a noroeste de Paranavaí): uma mina terrestre, feita com garrafão e pólvora; 22 coquetéis ‘‘molotov’’; oito machados; 30 facas; 52 facões; 63 rojões; 42 tochas incendiárias; e várias ‘‘granadas de mão’’, feitas com cano de metal e PVC. Algumas das granadas eram ‘‘recheadas’’ com parafusos e pregos.
A mina, segundo o major José Rigoni Filho, um dos comandantes da operação de retirada dos sem-terra, estava enterrada na entrada da fazenda e seria acionada por eletricidade. Como a energia foi cortada, os sem-terra não acionaram a bomba. O perito Darci Dória de Farias disse que, além da mina, as granadas de mão tinham alto poder de destruição. ‘‘A pólvora é compacta e poderia causar ferimentos sérios explodindo próximo à pessoa’’, garante.
O delegado-chefe da 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí, Luiz Norberto Canhoto, disse que os sem-terra tinham também um lança-chamas, feito com pulverizador costal. O artefato, assim como armas de fogo, que segundo Rigoni feriu dois PMs na desocupação, não foram apresentados. ‘‘Os policiais foram feridos por tiros, segundo os médicos, mas não localizamos as armas’’, insistiu o major Rigoni.
Ontem, a direção da Santa Casa de Paranavaí, que atendeu os feridos, confirmou que os dois PMs – Antonio Eduardo Mazucato e Paulo Sérgio Argati – sofreram escoriações e que apenas os sem-terra foram atendidos com ferimentos provocados por balas de borracha. Um dos sem-terra acampados na área, Oscar Chaves Pereira, disse que a PM ‘‘plantou’’ os artefatos explosivos na fazenda. ‘‘Da gente só tomaram as ferramentas de trabalho e bens pessoais’’, garante. A versão é contestada pelo major Rigoni. Ele disse que as armas foram feitas pelos acampados e que os sem-terra acompanharam a revista em cada barraco. (M.Z.)

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