O Instituto de Criminalística (IC) começou ontem a examinar a madeira do telhado da Igreja Universal do Reino de Deus, de Osasco, que desabou na madrugada de sábado matando 24 pessoas. Em 15 dias o IC terá condições de revelar as causas.
O engenheiro Osvaldo Negrini, responsável pelo trabalho com a madeira, explicou que nas próximas duas semanas os 150 quilos de madeira recebidos no sábado serão analisados em laboratório. O objetivo é constatar a fadiga da madeira e se houve apodrecimento por causa de possível infiltração de água. Para ele, tudo que disserem ‘‘será especulação e não se pode brincar com um fato tão grave como este’’.
Negrini contou que a madeira será serrada em pequenos e grandes pedaços e o exame dirá o tempo de validade. ‘‘Muitas pontas parecem deterioradas, podres, mas o exame mostrará se a madeira é resistente’’. O outro laudo com base na estrutura, no projeto e nas plantas de construção do prédio será apresentado pelos engenheiros Edgar Conrado Engelberg, chefe da engenharia do IC, e Henrique Filelini.
Os dois estiveram na igreja no dia do desabamento. Filmaram e fotografaram os pontos considerados essenciais para a elaboração do laudo. Se os cálculos realizados pelos dois revelarem que a carga do telhado estava pesada e causou o desabamento, os demais exames de nada valerão, explicou um perito do IC.
O delegado Flávio Augusto de Souza Nogueira, assistente da Seccional de Polícia de Osasco, começou ontem a investigar e a montar o inquérito que vai apurar as causas para saber se houve culpados pelo desabamento. A partir de hoje ele pretende ouvir os donos das lojas do prédio onde está a igreja. Vai ouvir por enquanto os feridos leves do desabamento.
Nogueira quer saber ainda do responsável pela igreja porque não encerrou o culto depois que uma placa caiu sobre os fiéis. Reinaldo Suisso, o pastor, disse no sábado à polícia que era comum a queda de placas. O delegado soube que dez minutos depois da queda, o telhado veio abaixo.
Ele vai requisitar da prefeitura de Osasco os alvarás da reforma, autorização para o funcionamento do prédio e da igreja. Engenheiros e funcionários responsáveis pela liberação serão ouvidos. Nogueira montou uma equipe de policiais para trabalhar no inquérito e pretende chamar para depor dois deputados que estiveram na igreja na madrugada de domingo durante o culto.

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