Peritos acham pilares ocos no Palace II
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Agência Estado 
Tasso Marcelo/Agência Estado
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SatisfeitaA ex-moradora do Palace II Júlia Jannibelli se dizia feliz por ter recuperado parte seus pertences após a coleta feita ontem nos escombros do prédioA perícia criminal sobre as causas do desabamento do edifício Palace II, na zona sul do Rio, no qual morreram oito pessoas, constatou que houve falhas na execução do prédio. Embora o laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) ainda não esteja concluído, os peritos verificaram, em avaliação preliminar, que havia pilares ocos, uma das falhas que estarão no relatório final do órgão.
Já sabemos que os pilares estavam ocos, disse o perito Hugo Monteiro Campos, chefe do Departamento de Engenharia do ICCE, responsável pela perícia no Palace II. Ele explicou que o problema aconteceu pelo fato de o concreto não ter sido vibrado durante a construção do prédio. Vibrar o concreto significa introduzir na massa de concreto pontas metálicas ligadas a um vibrador para eliminar bolhas de ar e garantir maior aderência às ferragens.
Os peritos não conseguiram chegar ainda ao pilar principal do Palace II - que rachou e provocou o desabamento - porque há muitos escombros sobre a estrutura. Segundo Hugo Campos, a previsão é de que na terça-feira os peritos consigam recolher amostras do pilar e submetê-las a análise - última etapa do trabalho da perícia criminal.
O laudo do ICCE será feito com base em análises sobre o material utilizado na construção que estão sendo feitas no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e na Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe).
No início da tarde de ontem, apenas uma ex-moradora acompanhava a coleta de objetos, feita por funcionários de duas empresas, nos escombros. A dona de casa Júlia Costa Jannibelli, de 67 anos, estava satisfeita por ter encontrado duas sacolas de roupas e alguns remédios. Para quem ficou só com a roupa do corpo isso aqui já é importante, afirmou. Ela esperava encontrar ainda a escritura de um terreno que havia doado para um filho e o inventário dos bens da família.
No final da tarde, a subprefeitura da Barra começou a encaminhar alguns objetos já encontrados a seus donos. O trabalho foi acompanhado por dois oficiais de Justiça para evitar dúvidas sobre os donos dos objetos. Os moradores do condomínio programaram para hoje à tarde uma passeata, na Barra da Tijuca, contra o deputado Sérgio Naya (sem partido-MG). A partir deste sábado a entidade criada por eles - Associação Beneficente de Vítimas do Palace II - terá uma sede no Recreio do Bandeirantes, na zona oeste do Rio.


