Os peritos da Divisão de Homicídios conseguiram recolher ontem fragmentos de impressão digital do polegar esquerdo do cadáver de uma das mulheres encontradas anteontem no Parque do Estado, na zona sul de São Paulo. Segundo a polícia, os dois corpos achados também seriam de vítimas de motoboy Francisco de Assis Pereira, de 31 anos, suspeito de ser o maníaco do parque, que teria matado oito mulheres.
Os fragmentos de impressão digital foram colhidos da mão da mulher encontrada totalmente nua. A outra vítima vestia uma blusa preta e estava com um boné preto com a inscrição ‘‘Boat’’. Os corpos estavam em trecho da mata, nas imediações da Rua Alfenas, em Diadema, no Grande ABC (SP).
Para recuperar parte das digitais, os peritos hidrataram a pele com formol e glicerina. Depois, fotografaram a mão até conseguir os primeiros fragmentos das digitais. O trabalho está sendo feito no Instituto Médico-Legal (IML).
Ontem, o vendedor Moisés Martins Filho esteve no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele reconheceu como sendo da filha, a professora de dança Michele dos Santos Martins, de 20 anos, uma corrente de metal dourado, com um pingente em formato de coração, recolhido pelos policiais durante busca, anteontem, no parque. Michele está desaparecida desde 11 de abril.
Michele usava um aparelho ortodôntico na arcada superior. Em 15 de maio, foi localizado nas matas do Parque do Estado o corpo de uma mulher que tinha aparelho nos dentes. O pai de Michele ainda reconheceu um tênis preto da marca Reebook. O pé de tênis também foi achado anteontem, durante as buscas nas matas do parque. Apesar do reconhecimento, a polícia está aguardando que o IML marque uma data para exumar o corpo da jovem, quando será feita a comparação da arcada dentária da vítima do parque com as fichas fornecidas pela dentista de Michele.
Ontem, a dona de casa Elisabeth Alves Faria também indentificou como da sobrinha, a balconista Patrícia Gonçalves Marinho, de 24 anos, os cinco brincos, um anel, um boné e um pé de coturno pertencentes a uma das vítimas achadas anteontem no parque.
Segundo Elisabeth, Patrícia trabalhava como balconista nas Lojas Brasileiras da Rua Direita, no centro, e morava com a avó no bairro da Penha, zona leste. Ela desapareceu em 17 de abril, ao sair do trabalho. A polícia depende de um laudo do IML para confirmar a identificação.
A jovem A., de 20 anos, procurou a polícia ontem e reconheceu Pereira como o homem que a agrediu e tentou violentá-la, em 5 de julho de 1996, no Parque do Estado. Ela lutou com agressor, que a convidara para fazer fotos naquele local, e conseguiu escapar.

mockup