Campinas, SP, 29 (AE) - O chefe do Departamento de Medicina Legal (DML) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), interior de São Paulo, Ricardo Molina de Figueiredo, disse hoje que pretende recorrer a todas as instâncias possíveis para evitar a extinção da unidade. A medida foi indicada por uma comissão de sindicância nomeada para apurar supostas irregularidades. A proposta de fechar o DML ainda será analisada pelo Conselho Universitário, que dará a decisão final.
"Não posso aceitar isso", afirmou Figueiredo, que também é perito em fonética forense. Ele classificou a proposta da comissão de "ilegal, irregular e corporativista". O chefe do DML disse que pretende mobilizar os sindicatos dos funcionários e professores da Unicamp para impedir a extinção da unidade. "Vou recorrer primeiro às instâncias administrativas, mas estou disposto a ir até a reitoria para reverter a situação", disse. Acusações - A polêmica em torno do DML está centrada numa disputa interna pelo poder, envolvendo o próprio Figueiredo e o ex-chefe da unidade, o legista Fortunato Badan Palhares. Nos últimos meses, os dois vêm trocando acusações sobre supostas irregularidades no departamento. Em fevereiro do ano passado, a dificuldade de relacionamento entre os dois já havia provocado outra intervenção.
Para Figueiredo, os motivos alegados pela comissao são insuficientes para fechar o DML. "Divergências são normais em qualquer instituição", disse. Figueiredo garantiu, ainda, não haver nenhuma irregularidade no departamento. "A única pessoa descontente e interessada no fechamento é o professor Badan Palhares", afirmou. Palhares não foi encontrado hoje para falar sobre o assunto. Ossadas e PC - Desde a sua criação, em 1986, o DML atuou em casos de destaque, como a identificação do carrasco nazista Joseph Mengele; as ossadas de desaparecidos políticos, encontradas numa vala comum do cemitério de Perus, em São Paulo; e o laudo sobre as mortes do empresário Paulo Cesar Farias e sua namorada, Suzana Marcolino. "Com quem ficará o enorme banco de informações que o departamento acumulou até hoje?", questiona Figueiredo.
A indicação para que o DML seja extinto não implicaria, porém, no fim das atividades desenvolvidas pela unidade. Em seu parecer, a comissão de sindicância sugere que as atividades do DML sejam desmembradas para outros departamentos da universidade. A medida, segundo os interventores, preservaria as pesquisas e serviços prestados pelo setor, que deixaria de ter um chefe exclusivo.

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