Maceió, 19 (AE) - O médico legista e professor da Universidade Federal de Alagoas coronel PM George Sanguinetti denunciou hoje o desaparecimento de cerca de 150 páginas do inquérito sobre as mortes do empresário Paulo César Farias e de sua namorada Suzana Marcolino. "Sumiram as páginas de número 1572 a 1717, que continham o meu parecer e os textos dos peritos que me auxiliararam, constestando o laudo do médico legista Fortunato Badan Palhares (PPB-AL)", afirmou Sanguinetti. Ele disse ter sido informado do fato pelo juiz Alberto Jorge Correia de Lima, que está à frente do caso.
"Na quinta-feira à tarde, fui convocado pelo juiz e compareci ao Fórum de Maceió, quando tomei conhecimento do sumiço desse material, na frente dos delegados Antonio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que comandaram as investigações sobre a morte de PC e Suzana", afirmou Sanguinetti. O legista alagoano entregou uma cópia do seu parecer, com 65 páginas, ao juiz. "Sei que junto com o meu parecer estavam anexados os textos do perito criminal Lamartine Bizarro Mendes e da advogada Tatiana Lambauer, que me auxiliaram no trabalho de contestação da versão de homicídio seguido de suicídio", completou.
O juiz confirmou que recebeu o inquérito "faltando algumas páginas", mas garantiu que esse problema foi superado quando os delegados encontraram em casa as páginas que estavam faltando. "Agora o inquérito está completo, temos inclusive duas cópias do parecer do professor Sanguinetti", afirmou Lima. Ele disse que já está providenciando cópias de todas as 3.500 páginas, dos 14 volumes do inquérito sobre a morte de PC e Suzana, para enviá-las ao Supremo Tribunal Federal, até o final da próxima semana. "Cópia do inquérito segue para o presidente do STF, ministro Carlos Velloso, que dará vistas ao Ministério Público Federal, para oferecer ou não denúncia contra o deputado Augusto Farias".
A reportagem procurou ouvir o deputado Augusto Farias, em Maceió, mas ele não foi localizado. Na Blumare, concessionária Fiat que pertence à família Farias, sua secretária, Lavínia, disse que ele estava em Brasília. Ela confirmou que o deputado adiou o depoimento dele, que estava marcado para às 9 horas de hoje, na Blumare. Augusto iria prestar depoimento ao juiz da Daniel Acioly, da 1ª Vara Especial Criminal, que está à frente do inquérito sobre a morte da deputada federal Ceci Cunha, morta em dezembro do ano passado junto com mais três parentes. Como tem foro privilegiado
o deputado deverá marcar nova data e local para ser ouvido.

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