Londrina – Basta o último sinal soar para começar o agito no portão da escola. No geral, as crianças menores são liberadas mais cedo para evitar que se machuquem durante o tumulto da saída dos mais velhos. Encostadas no muro, algumas mães aguardam os filhos para levá-los para casa. No entanto, muitos alunos seguem o trajeto sozinhos. Segundo levantamento da ONG Criança Segura, 40% das crianças brasileiras com menos de 10 anos fazem o trajeto desacompanhadas.
Outro estudo preocupante, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), aponta que todos os anos morrem no mundo 250 mil crianças e adolescentes em acidentes viários, e outros 10 milhões sofrem lesões graves. No Brasil, os acidentes são a primeira causa de morte de crianças e adolescentes entre 1 e 14 anos, conforme dados do Ministério da Saúde.
A coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françóia, relata que os principais incidentes no trânsito envolvem as crianças como pedestres. Em segundo lugar estão os acidentes em carros e, em terceiro, com as vítimas em motos.
A reportagem acompanhou os horários de entrada e saída de aula em algumas escolas de Londrina e flagrou muitas crianças, algumas com até 6 anos, seguindo sozinhas ou acompanhadas de irmãos menores de 10 anos. Enquanto algumas responderam morar a duas quadras da escola, outras disseram morar em outro bairro, com avenidas perigosas no percurso. A recomendação da ONG é que crianças não andem desacompanhadas de um adulto até os 10 anos e, na hora de atravessar a rua, é importante que estejam de mãos dadas.
A zeladora Aparecida Oliveira Ormenezze, de 43 anos, nem cogita a possibilidade de deixar a filha Natália, de 9 anos, voltar sozinha da Escola Municipal José Garcia Villar, no Jardim Interlagos (zona leste). "Ela vem de van todo dia. No fim do dia, saio do trabalho e passo aqui. Sem chances de deixar ir sozinha, é muito perigoso", opinou a zeladora.
Com a maior participação da mulher no mercado de trabalho, cada vez aumenta o número de avôs e avós que assumem a responsabilidade. Este é o caso do aposentado Vicente Pedro de Carvalho. Na tarde de ontem, ele aguardava quatro netas no portão da escola. "É um prazer para mim buscá-las na escola. Sei que nem sempre há alguém com disponibilidade, mas não se deve deixar as crianças sozinhas pelas ruas, o trânsito está cada vez mais caótico", advertiu.

DICAS
O mais importante para ensinar o comportamento seguro como pedestre, para Alessandra Françóia, é dar o exemplo. Por isso, os adultos devem atravessar as ruas olhando para ambos os lados, respeitar os sinais de trânsito e usar as faixas para pedestres e, antes de atravessar na frente dos veículos, fazer contato visual com os motoristas, para ter certeza de que foram vistos.
Já no carro, a melhor proteção para a criança é o uso de cadeiras e assentos de segurança. O cinto de segurança é projetado para adultos com no mínimo 1,45m de altura, por isso não protege os pequenos em casos de acidente. "É essencial usar dispositivos certificados, apropriados ao peso da criança e que se adaptem devidamente ao veículo", destacou.

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