Perigo é ultrapassar limites
Pró-atividade, competitividade e necessidade de se manter sempre atualizado são algumas das cobranças enfrentadas no mercado de trabalho. Mas, o que são consideradas qualidades no profissional, também podem ser geradoras de estresse, dependendo de como se encara isso.
A psicóloga Elaine de Freitas Tavares, de Londrina, que atua na área organizacional e do trabalho, ressalta que hoje esse universo sofreu mudanças significativas. Assim, se até as décadas de 70 e 80, o trabalhador adoecia primeiro no aspecto físico, hoje o sofrimento psíquico e emocional aparece primeiro, resultando em consequências físicas.
As novas tecnologias mudaram a metologia de trabalho e demandam uma necessidade de adaptação rápida às mudanças. ''O indivíduo tem que estar sempre 'um passo à frente', mas as pessoas não respondem da mesma maneira aos estímulos. O grande perigo é quando começa a autocobrança, e porque 'o colega consegue...' a pessoa acaba ultrapassando os próprios limites''.
As interferências externas, como o chefe autoritário ou as pressões demasiadas, dificilmente podem ser controladas, mas as internas, sim. ''E aí entra a máxima da psicologia que é o autoconhecimento. Quando ela se conhece, pode trabalhar para evitar situações de estresse'', avalia.
Os sinais de alerta para o estresse, segundo a psicóloga, incluem déficit de atenção ou dificuldade para realizar tarefas que fazia com facilidade, dificuldade de memória, baixo rendimento, tendência a ficar isolado, excesso de dores de cabeça, perda ou aumento de peso, insônia, falta de desejo ou impotência sexual, olheiras mais visíveis porque o sono não é tranquilo, irritabilidade acentuada, e falta de vontade de levantar da cama pela manhã. ''Nos casos mais acentuados, isso pode evoluir para uma depressão, ou para episódios de pânico'', alerta.
Elaine sugere, como forma de vencer o estresse, mudança de hábitos: reorganização da rotina de trabalho, reavaliação dos horários de sono e alimentação, e reorganização do lazer. ''Cada um precisa descobrir e buscar a sua fonte de prazer. O tratamento terapêutico é indicado nos casos em que não se consegue fazer essa reorganização pessoal'', afirma. Ela lembra que o alerta e a ajuda podem vir da família ou dos colegas de trabalho, mas sem que isso seja mais uma cobrança para que a pessoa se cuide.(C.P.)





