Depois de um ótimo almoço começam a aparecer vermelhões e coceiras pelo corpo. Olhos e pálpebras ficam doloridos. A respiração fica difícil e a sensação é que a garganta está ''fechando''. Uma pergunta se torna inevitável: ''será que foi alguma coisa que eu comi?''. Mas, o que pode transformar uma refeição prazerosa em um pesadelo? A resposta está na alergia, na intolerância e na intoxicação alimentar.
Para entender o que acontece no corpo, o gastroenterologista Roberto Menoli, de Londrina explica que os alimentos são constituídos por substâncias nutrientes, essenciais para a constituição corpórea, entre elas carboidratos, proteínas e gorduras. E também por não-nutrientes, que podem ser naturais ou artificiais, como os aditivos químicos, usados na conservação dos alimentos. No processo digestivo as enzimas ''quebram'' os alimentos em partículas menores que serão absorvidas e aproveitadas no organismo. O que não é aproveitado, é eliminado.
A alergia alimentar é causada quando o organismo reage contrariamente e de forma intensa a um alimento ou substância específica, mesmo que a quantidade ingerida seja mínima. Segundo o médico, a origem dessa hipersensibilidade normalmente é genética, e a maioria das pessoas, cerca de 99%, não é alérgica aos alimentos. ''A única diferença das outras alergias é que a via de acesso é o trato digestivo'', explica.
Já a intolerância alimentar é caracterizada pela incapacidade do organismo de digerir, ou ''quebrar'', alguns componentes. Isso pode acontecer pela falta de uma enzima específica. Por exemplo a que digere a lactose do leite.
''Na intolerância alimentar há uma íntima relação entre a quantidade da substância ingerida e o desencadeamento dos sintomas, o que revela a incapacidade do organismo de metabolizá-la'', explica Menolli. Por isso há substâncias potencialmente ''tóxicas'' ingeridas em quantidade tal que não causam intolerância. Caso da aflatoxina no amendoim e nas nozes, da solanina no tomate e na batata, da tiramina na banana e no frango, e da feniletilamina em produtos à base de chocolate. E mesmo alimentos que perdem a capacidade de provocar intolerância quando são cozidos. Caso da mandioca.
E há ainda a intoxicação alimentar, causada por alimento contaminado por microorganismos (bactérias ou fungos), principalmente por causa da sua má conservação.
Menoli explica que vômito e diarréia são as duas reações mais comuns quando o organismo quer expulsar essas substâncias. Isso na caso da intolerância ou intoxicação.
No caso da alergia, alerta o alergista e dermatologista Rubens Pontello, de Londrina, as reações podem ser mais intensas, como as descritas no início desse texto. Em situações graves é preciso procurar atendimento médico com urgência porque há até o risco de morte. ''Como nunca se sabe qual a extensão de uma crise, o melhor é procurar um serviço médico'', afirma Pontello.

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