Perícia na PR-445 deve ser concluída em 60 dias
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quinta-feira, 02 de junho de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
A empresa contratada para realizar a perícia em trechos da obra de duplicação da PR-445 deu início aos trabalhos na manhã de ontem. De imediato, o diretor da Egel Engenharia, Eduardo DellAvanzi, constatou que a situação do viaduto no cruzamento com a Avenida Dez de Dezembro é a mais preocupante. O engenheiro civil, especialista em geotecnia, também vistoriou as obras da trincheira construída no acesso à Avenida Guilherme de Almeida e o viaduto com a Waldemar Spranger.
Durante a tarde, DellAvanzi participou de uma reunião com representantes do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR), do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), da Câmara de Vereadores e da Prefeitura de Londrina. O convite para o encontro partiu do promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares. O objetivo era formalizar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para a realização de reparos nas obras. No entanto, pequenas alterações no documento foram sugeridas durante a reunião e o TAC deve ser assinado somente nos próximos dias.
O documento definiu prazo de 60 dias para a realização da perícia nas obras e de seis meses para a execução das melhorias. Em caso de descumprimento, está prevista a aplicação de uma multa diária no valor de R$ 5 mil.
Os três trechos de duplicação da rodovia deveriam ter sido entregues em 2014. No entanto, apenas as obras de um dos trechos, entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Cambé, foram concluídas no final de 2014. No entanto, motoristas constataram ondulações na pista e foi necessário realizar reparos logo após a entrega.
Rachaduras e falhas na estrutura foram identificadas nos demais trechos construídos pela empresa Sanches Tripoloni entre o Conjunto Jamile Dequech e a UEL. Profissionais do Ceal também apontaram falhas técnicas na duplicação que poderiam comprometer a segurança da obra. Os problemas foram levados à Justiça, as obras foram paralisadas e o DER contratou a empresa de Curitiba para a realização da perícia. A morte do superintendente regional do DER, José Ferreira Heidgger, que acompanhava de perto a execução das obras, e a saída do coordenador da Região Metropolitana de Londrina (Comel), Vitor Hugo Dantas, que também estava à frente dos trabalhos, comprometeram a continuidade das discussões.
Com a realização da perícia, a expectativa é que as obras caminhem para a finalização. "Vamos avaliar as características hidromecânicas do solo, vamos elaborar modelos numéricos que façam uma previsão do comportamento das estruturas lá construídas e nós iremos chegar no motivo dos deslocamentos das estruturas. A partir disso, nós saberemos quais ações poderemos tomar para garantir a estabilidade e a segurança no local", ressaltou DellAvanzi, responsável pela perícia.
Os trabalhos terão início na trincheira de acesso à Avenida Guilherme de Almeida. Em seguida, a perícia será realizada no viaduto no cruzamento com a Waldemar Spranger. A análise do viaduto da Dez de Dezembro será feita no final dos trabalhos. Com isso, a expectativa é agilizar a liberação do tráfego nos dois primeiros trechos. "A partir do momento que o profissional analisar que não há problema nenhum e que a obra está estável, ele já vai tratando com o Ministério Público para a liberação parcial do tráfego para viabilizar à população esse conforto", explicou o diretor técnico do órgão, Amauri Cavalcanti.
A perícia contratada pelo DER vai custar R$ 291 mil. Segundo ele, os reparos serão feitos pela construtora Sanches Tripoloni sem custos adicionais ao governo do Estado. "Se o DER tivesse, no ano passado, reconhecido essas irregularidades e essas irregularidades estivessem sendo corrigidas, nem seria necessário o Ministério Público provocar o Poder Judiciário para paralisar as obras diante da insegurança apontada pelo Ceal", lamentou o promotor Paulo Tavares.
O último prazo dado pelo DER para a entrega das obras venceu no final do mês passado e já foi prorrogado para setembro. Porém, o Termo de Ajustamento de Conduta já prevê a conclusão dos trabalhos apenas no início do ano que vem.
O secretário municipal de Obras, Valmir Matos, também aproveitou o encontro para lembrar de problemas relacionados à drenagem da água da rodovia, que agora escoa em direção aos bairros, causando transtornos aos moradores e a necessidade de melhorias nas vias marginais da PR-445, que são utilizadas para o desvio do tráfego durante a execução das obras. No entanto, essa discussão ficou para um segundo momento.


