Imagem ilustrativa da imagem Perícia indica falhas em muros de contenção da PR-445
| Foto: Gustavo Carneiro
Perícia apontou que não há risco de desabamento dos viadutos



Ainda vai demorar para o trânsito ser liberado na PR-445. Pelo menos nos cruzamentos com as avenidas Dez de Dezembro e Waldemar Spranger, ambas na zona sul de Londrina. Os muros de contenção dos viadutos apresentam problemas de estabilidade, o que vai demandar correções antes da liberação do tráfego. A conclusão é do relatório apresentado nesta segunda-feira (25) pelo perito Eduardo Delavanzi, engenheiro civil escolhido pelo Ministério Público e referendado pelo Conselho de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) para avaliar as obras de duplicação da rodovia.
O perito analisou os muros de contenção dos quatro pontos que continuam interditados por ordem judicial. Nos trechos que continuarão interditados, ele constatou problemas de fundação e estabilidade nos muros de contenção. "Existem trechos de alguns muros nestes dois trechos que não atendem aos fatores de segurança de normas. Eles atendem marginalmente, possuem estabilidade, mas não o nível de segurança que as normas competentes de segurança solicitam. Por enquanto não dá para liberar para o tráfego", explicou.
Ainda de acordo com o relatório, os trechos próximos aos cruzamentos com a Rua Prefeito Faria Lima e a Avenida Guilherme de Almeida não apresentaram problemas e poderão ser liberados para o tráfego tão logo os apontamentos sejam analisados pelo Ministério Público. As obras nos trechos estão paralisadas desde o dia 23 de março, quando um despacho do juiz Emil Tomás Gonçalves, da 2ª Vara de Fazenda Pública de Londrina, determinou a suspensão das obras e a realização de perícia.
Segundo o engenheiro, todos os problemas encontrados são decorrentes de falhas no projeto. "O que foi executado foi muito bem executado. Toda a qualidade dos materiais empregados, os aterros, tudo que está lá no campo foi bem executado. O problema foi a parte do projeto não ter considerado os recalques que iriam ocorrer. Basicamente foi devido à grande sobrecarga da altura dos aterros colocados e não considerados os respectivos recalques (rebaixamento sofrido pela edificação por causa da compactação do solo), e a segurança quanto à estabilidade da fundação dos mesmos", continuou.
Apesar dos problemas, o engenheiro garantiu que não há risco de desabamento e que as marginais podem continuar sendo utilizadas normalmente. Porém, de acordo com o relatório, os trechos da PR-445 só poderão ser liberados após o reforço dos muros. "Uma vez que a sobrecarga e a faixa de rolamentos está no interior da superfície potencial de ruptura analisada não se deve passar antes do reforço dos muros", indicou. "Os riscos seriam fissuras no asfalto, ondulações na pista, prejudicando o tráfego e a segurança da rodovia em si", completou Delavanzi.
Um projeto de reforços dos muros nestes locais está em processo de elaboração. Entre as indicações está a colocação de conjuntos de estacas raízes, expediente que já foi utilizado no trecho com a Avenida Dez de Dezembro. "Pode-se dizer que está convergindo para isso, a execução de estacas atravessando os muros para estabilização deles", apontou o engenheiro. Depois de pronto, o projeto será enviado ao Ministério Público para avaliação e posteriormente para a empresa Sanches Tripoloni, responsável pela obra e que deverá executar as correções.
Responsável pela fiscalização das obras, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) trata o erro como uma fatalidade. "Os solos da Dez de Dezembro e Waldemar Spranger são solos colapsíveis, que acredito que não foi levado em consideração. O cálculo está estável, mas não atende a norma. Não existe risco de tombamento, mas não podemos deixar a obra com essa insegurança", observou o diretor técnico do DER, Amauri Cavalcanti.
Ele informou que uma comissão foi formada para avaliar todos os erros e prejuízos causados à obra. A equipe vai formatar um novo relatório, que vai nortear as ações do órgão no caso. Segundo Cavalcanti, a empresa responsável pela obra deverá arcar com os custos das correções. "Existe uma norma que trata desse assunto, a empresa executa a obra através de um projeto e ela tem responsabilidade mediante a execução do projeto", afirmou o diretor, que não informou um prazo para execução das correções da obra.
Responsável pelo projeto da obra, a Engefoto Engenharia e Aerolevantamentos S.A., com sede em Curitiba, alegou que há uma cláusula de confidencialidade no contrato e preferiu para não se pronunciar sobre o caso. Paulo Tavares, promotor do Ministério Público que acompanha o caso, não foi encontrado pela reportagem para comentar o caso.

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