Emerson Dias
Especial para a Folha
De Foz do Iguaçu
Dois peritos enviados pela Justiça Federal para avaliar as condições e o impacto ambiental provocado pelo funcionamento da Estrada do Colono, via que liga Serranópolis do Iguaçu a Capanema passando dentro do Parque Nacional do Iguaçu, fizeram um laudo que pode aprovar a abertura oficial da estrada, que funciona ilegalmente desde 1997.
A avaliação, que durou 90 dias e contou com o apoio de técnicos da região, constatou que o impacto causado pela via é bem menor, se comparado às vantagens ocasionadas pela integração das regiões oeste e sudoeste. Segundo os peritos, a utilização da estrada ‘‘facilitaria a criação de uma zona tampão entre as áreas agricultáveis e lindeiras do parque’’.
A conclusão demonstra que um problema maior está acontecendo em volta da área de preservação, regiões onde as plantações que ultrapassam os limites de segurança e as vias de acesso sobrecarregadas pela circulação de caminhões, prejudicam a manutenção da fauna e flora do local.
Apesar de apoiar o funcionamento da estrada, a perícia também determinou restrições e sugeriu mudanças. O horário de tráfego deverá ser liberado apenas no período diurno. Caso seja feita a pavimentação da via, cujos 17 quilômetros receberam apenas pedras para diminuir a lama e o barro, os materiais utilizados serão os ‘‘pavers’’ (blocos de concreto que servem para diminuir a poeira e a formação de buracos).
Cópias do laudo foram passadas aos representantes dos municípios, ao Governo do Estado, Ibama e Ministério Público, para que todos se pronunciassem sobre o resultado. Segundo assessores da Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), o governo deu parecer favorável, enquanto que o Instituto e o Ministério discordaram da avaliação. Eles informaram ainda que prefeitos e associados não aprovaram parte do relatório, principalmente no que diz respeito ao prejuízo causado pelo fechamento da estrada entre 1986 e 1997. Os municípios avaliaram que as perdas chegaram a R$ 1,3 bilhão, valor que os peritos não conseguiram comprovar.
O laudo é composto por 170 páginas com 120 questões elaboradas pela Justiça Federal. A perícia poderá definir o julgamento final do caso, adiado diversas vezes por ambas as partes.
Em janeiro deste ano, a estrada quase foi fechada, depois de o Tribunal Federal de Porto Alegre ter definido a sua interdição. A via é mantida pela Aipopec, que cobra pedágios entre R$ 5,00 e R$ 8,00 dos veículos que passam pelo local. Utilizando a estrada, os motoristas deixam de percorrer cerca de 120 quilômetros a mais entre as duas regiões.