Havana, 02 (AE-ANSA) - Além da luta política, os quatro dissidentes que estão sendo julgados a portas fechadas em um tribunal de Havana, sob acusação de "sedição" contra a segurança do Estado, têm em comum o fato de serem universitários.
Vladimiro Roca Antúnez, para quem a promotoria pede seis anos de prisão, é formado em Relações Econômicas Internacionais. Em meados de 1991, incorporou-se à dissidência como um dos fundadores da Corrente Socialista Popular e defende a transição pacífica até uma sociedade democrática e um estado de direito em Cuba
Filho do conhecido líder comunista Blas Roca (um dos fundadores do PCC), Roca Antúnez nasceu em Havana em 21 de dezembro de 1942. Durante 10 anos foi piloto da Força Aérea Cubana.
Marta Beatriz Roque Cabello, para quem a promotoria pediu cinco anos de prisão, nasceu em 16 de maio de 1945 também na capital. Ela é formada em Economia pela Universidade de Havana, onde trabalhou como professora auxiliar.
No final de 1990 integrou-se ao movimento dissidente e antes de ser detida junto com seus colegas do Grupo de Trabalho da Dissidência Interna em 16 de julho de 1997, dirigia o Instituto Cubano de Economistas Independentes.
Félix Bonne Carcassés nasceu em 13 de junho de 1939 e foi professor titular da cátedra de Engenharia na Cidade Universitária José Antonio Echevería e professor de Física da Universidade de Havana.
No início de 1990 integrou-se à dissidência e foi um dos fundadores da Corrente Cívica Cubana, organização não-governamental que agrupou professores universitários. Por isso, foi expulso da universidade.
René de Jesús Gómez Manzano nasceu em Havana em 19 de dezembro de 1943, é licenciado em Direito e especialista em Direito Internacional das universidades de Havana e Moscou.
Desde 1980 vinculou-se a organizações dissidentes e assumiu a defesa de opositores e ativistas de direitos humanos.
Participou do Concílio Cubano, uma frente opositora, hoje extinta, que pretendia unir em apenas um grupo toda a oposição ao governo de Fidel Castro.
Roca, Roque, Bonné e Manzano formam o Grupo de Trabalho da Dissidência Interna e em 27 de junho de 1997 difundiram um documento denominada "A Pátria é de Todos", uma análise política, econômica e social na qual pedem eleições multipartidárias e anistia para todos os presos políticos na ilha.

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