Jerusalém, 04 (AE-REUTERS) - O ex-primeiro-ministro israelense Shimon Peres poderá atuar como mediador no conflito de Kosovo. "Recebi um pedido sério e estou estudando a possibilidade", disse Peres negando-se a revelar o nome de quem lhe dirigiu o apelo.
"É óbvio que algo como isso deve ter a aprovação de ambas as partes envolvidas, e não acho que no estágio atual todos estejam interessados em mediação."
Peres, de 75 anos, ganhou o Prêmio Nobel da Paz como um dos arquitetos do acordo de Oslo, de 1993, sobre o conflito entre israelenses e palestinos. Ele reconheceu que não é um especialista na questão iugoslava.
"Mas é preciso agir com a máxima urgência para evitar uma catástrofe humanitária na região", ressaltou, para concluir: "Se eu tiver certeza de que posso contribuir para salvar uma única vida, direi sim."
No Vaticano, o papa João Paulo II dedicou parte de sua homilia da Pascoa às vítimas do conflito iugoslavo. Ele dirigiu um apelo ao presidente Slobodan Milosevic para que abra um "corredor humanitário" a fim de ajudar os refugiados de Kosovo. O papa referiu-se também ao "fogo devastador das bombas" como parte de uma "espiral diabólica de vingança".
Em Roma, o chanceler italiano, Lamberto Dini, propôs a adoção de um isolamento completo da Iugoslávia se os ataques da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não derem resultados. "A única exceção seria para alimentos e medicamentos."
Na Grécia, a capital Atenas foi palco hoje de um novo protesto contra o bombardeio da Iugoslávia. Um grupo de manifestantes tentou sem êxito apedrejar as embaixadas de França, Grã-Bretanha
Itália e Estados Unidos.
Em Hamburgo, milhares de pacifistas realizaram tradicional marcha de Páscoa, pedindo também o fim dos ataques da Otan nos Bálcãs.

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