O motoboy Francisco de Assis Pereira disse que voltará a matar caso seja colocado em liberdade. A afirmação foi feita pelo preso ao ser interrogado, segundo o diretor do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, delegado Marco Antônio Desgualdo. Ontem a polícia revelou que Pereira confessou ter assassinado dez mulheres. O corpo de Pitucha, nome daquela que seria a décima vítima, ainda não foi encontrado. Ela pertenceria a um grupo de patinação do qual o motoboy participava.
Pereira teria feito parte de três turmas diferentes. A polícia está procurando membros desses grupos para tentar confirmar a história sobre Pitucha. Pereira disse que a matou no parque em novembro de 97. Ele teria deixado o corpo próximo ao que pertenceria a Isadora Fraenkel, 19 anos, achado no sábado.
Segundo a polícia, Pereira identificou por meio de uma fotografia a balconista Rosa Alves Neta, 21 anos, como uma das nove mulheres cujos corpos já foram achados no parque. Ela seria uma das duas mulheres encontradas no último dia 6 de julho e que não haviam ainda sido identificadas. O motoboy disse que apanhou Rosa, desaparecida desde 24 de maio passado, no parque do Ibirapuera (zona sudoeste). A polícia só confirmará oficialmente a identificação de mais essa vítima caso a arcada dentária de Rosa seja a mesma da mulher morta.
Ao ser interrogado, o motoboy relatou sua vida desde a infância. Disse que, quando era criança, sofreu abuso sexual de uma tia. Afirmou que tinha 16 anos quando sentiu pela primeira vez seu ‘‘lado negro , ruim, que despertava-lhe a vontade de fazer algo mau. Pereira relatou como esse lado ruim tomava conta de seu corpo. Tudo começava com suores noturnos e pesadelos, que o acordavam durante a madrugada.
No dia seguinte, procurava ter um dia normal, patinar, andar de motocicleta, mas era impossível. Então, caçava as vítimas. Contou como procurou no metrô, de vagão em vagão, de composição em composição, até achar Selma Ferreira Queiroz, 18, a última vítima, morta em 3 de julho.

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