São José dos Campos, SP, 03 (AE) - Os manifestantes do Grito dos Excluídos prosseguiu hoje sua caminhada rumo ao Santuário Nacional de Aparecida. Os integrantes do protesto já cumpriram mais de 100 quilômetros a pé pelo acostamento da Via Dutra e chegaram a São José dos Campos, após pernoitar em Jacareí. O clima seco e o cansaço forçaram os peregrinos a um descanso maior nesta sexta-feira. Eles retomaram o trajeto no período da tarde, por volta das 14 horas. No sábado (04) acontece pela manhã o primeiro ato do Grito dos Excluídos, na praça da matriz de Taubaté.
Os romeiros percorreram mais 10 Km e se hospedam na paróquia São João Bosco, situada nas proximidades da Dutra. O maior trajeto foi feito na quinta-feira, entre Arujá e Jacareí, chegando a 45 Km em mais de 10 horas de marcha pelo acostamento da rodovia. A combinação de calor, poluição e a baixíssima umidade relativa do ar tem causado problemas respiratórios nos peregrinos e dificultado um melhor rendimento físico dos participantes. "Isto tem castigado o pessoal", disse a coordenadora da evento, Célia Aparecida Leme.
O grupo recebeu novos integrantes, elevando o número para 150 romeiros. Porém a marcha chegará a Aparecida com 200 pessoas
pois amanhã (04) mais 50 participantes se integrarão à caminhada. Segundo os coordenadores, a romaria vem recebendo diversas manifestações de apoio ao longo da rodovia. "Principalmente os caminhoneiros acenam e buzinam em sinal de solidariedade", conta Célia Leme.
Até o momento nenhum incidente envolvendo os peregrinos foi registrado. A Polícia Rodoviária Federal escoltará o grupo em todo trajeto pela Dutra. Pelas últimas informações obtidas pelos coordenadores do movimento, o Grito dos Excluídos deverá superar os anos anteriores e atingir cerca de 80 mil manifestantes no dia 07, quando haverá o protesto e a missa no interior da basílica, celebrada pelo arcebispo local Dom Aloísio Lorscheider.
O protesto será engrossado pelo grande número de devotos de Nossa Senhora Aparecida que aproveitam o feriado prolongado para visitar o santuário. O ato faz parte da programação desenvolvida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que agregou também a Marcha dos Trabalhadores. O objetivo é chamar a atenção da sociedade para a exclusão causada pela política econômica do governo FHC e protestar contra o modelo neoliberal.

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