Peregrinos iraquianos chegam de avião à Arábia Saudita
Riad, 16 (AE-REUTERS) - Um avião iraquiano levando 110 peregrinos muçulmanos desafiou o embargo aéreo da ONU e uma zona de exclusão aérea imposta pelo Ocidente e aterrissou hoje (16) na cidade ocidental da Arábia Saudita de Jidá.
Um funcionário do aeroporto, que pediu para não ser identificado, disse que o avião pousou no aeroporto em Jidá trazendo muçulmanos para a peregrinação anual de haj. Ele não deu mais detalhes.
O presidente da Iraqi Airways, Rabaee Mohammed Saleh, afirmou mais cedo à REUTERS em Bagdá que o Iraque estava planejando este ano promover três vôos de peregrinação para a Arábia Saudita, lar dos dois lugares mais sagrados do Islã.
Ele disse que o avião que pousou hoje em Jidá foi um Ilyushin-76, de fabricação russa, levando o ministro de Assuntos Religiosos do Iraque, Abdul-Muneim Ahmed Saleh, e alguns homens e mulheres idosos que teriam dificuldade em resistir a uma viagem por terra de 2.000 km até a Arábia Saudita.
O Iraque enviou um avião civil para a Arábia Saudita em 1997 levando 104 peregrinos idosos e doentes para Meca para a anual haj, um pilar do islamismo. O avião retornou para o Iraque no mesmo dia.
Cerca de 2 milhões de pessoas de dentro e fora do reinado são esperados para participar do ritual anual.
O Iraque, com uma população de mais de 20 milhões de habitantes, pode enviar até 22.000 peregrinos a Meca de acordo com um sistema de cotas que limita o número de muçulmanos de cada país que podem participar. Cerca de 2.000 iraquianos chegaram no reinado por terra na segunda-feira.
Entretanto, muitos iraquianos não podem arcar com a viagem por causa das estritas sanções econômicas impostas sobre o Iraque devido a sua invasão do Kuwait de 1990. Vôos internacionais também estão banidos desde a invasão.
Todo muçulmano que pode arcar com as despesas deve praticar o haj pelo menos uma vez na vida.
O Conselho de Segurança da ONU tem rejeitado pedidos do Iraque de usar aviões civis para levar peregrinos a Meca. O conselho reagiu ao vôo de 1997 emitindo um comunicado brando pedindo ao Iraque para não operar mais aviões sem seu consentimento, mas não chegou a considerar o vôo um desrespeito ao embargo.
Além do embargo de vôos, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha impuseram zonas de exclusão aérea no norte e sul do país. A zona sulista, pela qual o avião teve de entrar em seu caminho para a Arábia Saudita, estende-se até o paralelo 33, logo ao sul da capital iraquiana de Bagdá.
As zonas foram originalmente justificadas como uma forma de proteger os curdos, no norte, e xiitas muçulmanos, no sul, de ataques da força aérea iraquiana.
O Iraque nunca reconheceu as zonas de exclusão aérea e tem repetidamente desafiados patrulhas aéreas anglo-americanas.





