Porto Alegre, 2 (AE) - A Perdigão está prevendo um faturamento de pelo menos US$ 300 milhões com exportações este ano, 15% a mais do que os US$ 260 milhões de 1998. Se confirmado
o valor também representará cerca de 35% da receita líquida projetada, contra uma participação de 25% sobre R$ 1,2 bilhão em vendas líquidas no ano passado.
Segundo o presidente da companhia, Nildemar Secches, os negócios externos foram favorecidos pela desvalorização do real e por um planejamento previamente estabelecido, que inclui melhorias na infraestrutura de produção e prospecção de novos clientes. Ele não quis informar quais os novos mercados potenciais, limitando-se a relacionar os tradicionais: Japão, Europa e Oriente Médio.
"A desvalorização foi bem-vinda para a Perdigão", disse o executivo em reunião na Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul).
O efeito positivo ocorreu sobre as exportações porque o ajuste cambial provocou um aumento de 422% nas despesas financeiras no primeiro trimestre, em função do impacto sobre a dívida líquida em dólar, de US$ 260 milhões, levando ao prejuízo de R$ 5,7 milhões no período. Atualmente a empresa tem R$ 500 milhões em aplicações e o endividamento dolarizado sem hedge equivale a seis meses de exportações.
Este prazo, conforme o presidente, é inferior ao período médio de validade dos contratos de venda externa em carteira.
Secches ressalvou, porém, que a balança comercial brasileira não teve todo o impacto favorável esperado do ajuste cambial. De acordo com ele, os compradores de commodities estão pressionando por descontos que levam parte da margem proporcionada pela queda do real. "Temos chance de chegar a 4 ou 5 bilhões de dólares, mas mais pela redução da importação", comentou.
Para o executivo, a identificação de carne de frango e derivados produzidos na Bélgica contaminados por dioxina poderá abrir novas oportunidades ne mercado europeu para as empresas brasileiras somente num prazo médio de dois anos. "Até lá, a tendência é de uma retração geral no consumo local", acredita.
O presidente da Perdigão pediu ainda "urgência" nas negociações para a liberação das exportações de carne suína do Brasil para a União Européia. A definição deste caso permitiria mais do que dobrar as vendas externas do Brasil no segmento, que no ano passado somaram 80 mil toneladas basicamente para Argentina e Hong Kong, estima Secches.
Barreira - Segundo ele, os europeus não compram carne do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, estados oficialmente livres de aftosa, alegando que o Brasil como um todo não alcançou este status. "Esta é uma barreira não-tarifária", avalia.
Secches confirmou também para julho o início das operações da unidade que está sendo implantada no município de Rio Verde (GO), que chegará ao final do ano 2000 com capacidade para abater 120 mil aves e 1,7 mil suínos por dia. Quando estiver funcionando a pleno, em 2003, a planta aumentará de 530 mil para 790 mil toneladas anuais a produção da empresa.
O investimento total no novo frigorífico é de R$ 520 milhões entre instalações próprias e de produtores integrados desde 1997. Somente neste ano serão aplicados R$ 100 milhões.
De 1995 até este julho deste ano a Perdigão também vai completar um programa de investimento de R$ 100 milhões nas suas unidades gaúchas de Marau e Serafina Corrêa, que respondem por 25% a 30% da produção total da empresa.
No final do ano passado foi inaugurada uma nova fábrica em Marau para abater 2 mil suínos e 300 mil aves por dia e em julho entra em operação uma nova linha de empanados no local. "Estamos ampliando a oferta de produtos de maior valor agregado e ainda este ano faremos mais de 40 lançamentos", adiantou.

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