Perdigão descarta construção de fábrica em Patos de Minas
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Raquel Massote e Venilson Ferreira 
Belo Horizonte, 20 (AE) - O secretário Municipal de Agricultura, Indústria e Comércio de Patos de Minas, Dário Caixeta, disse hoje que a instalação de uma planta da Perdigão no município permanece em compasso de espera. Quando foram iniciados os primeiros contatos entre a empresa e a prefeitura, há três anos, a administração municipal se comprometeu a adquirir um terreno de 54 hectares, ou 540 mil metros quadrados, que é mantido até hoje. No entanto, segundo Caixeta, a empresa alegou que o projeto estaria suspenso devido à conjuntura do mercado e a redução das exportações da empresa.
O secretário revela que a empresa chegou a enviar uma correspondência para a Prefeitura, com justificativas "lacônicas" para a interrupção do projeto. "Estamos tentando retomar as negociações e temos informações de que o projeto vai continuar", disse o secretário.
Já o diretor de relações institucionais da Perdigão, Ricardo Menezes, diz que o projeto de Patos de Minas foi descartado há dois anos, quando a empresa optou por priorizar a construção da fábrica em Rio Verde (GO), que deve estar em plena produção em 2003. "Por questão de estrutura, não tínhamos condições de tocar os dois projetos ao mesmo tempo", diz Menezes. O projeto de Patos de Minas previa a construção de um frigorífico para abate e processamento de cortes de frango.
Menezes disse que a Perdigão não chegou a assinar qualquer protocolo de intenções com a Prefeitura de Patos de Minas ou com o governo de Minas Gerais. Ele descarta que a questão dos incentivos fiscais tenha sido determinante na decisão. "Na análise de viabilidade, ficou claro que em Patos de Minas a Perdigão iria disputar a compra de milho com consumidores locais, enquanto em Rio Verde havia excedente na oferta do grão."
Ele afirmou que todas as atenções da Perdigão estão voltadas no momento para o projeto de Rio Verde e somente analisaria qualquer outro projeto antes de 2003 caso houvesse mudança no cenário internacional, com aumento das exportações, ou aumento na renda no mercado doméstico que levasse ao aumento do consumo de carne de frango. Neste caso, diz ele, o projeto de Patos de Minas voltaria a ser considerado para efeito de análise.
Ele diz que a empresa nada tem contra o governador Itamar Franco e que mantém em Arceburgo (MG) a unidade em que é desenvolvida a genética do "chester". Segundo Menezes, o projeto Patos de Minas nasceu e morreu no governo Eduardo Azeredo.


